Quem cai tem que subir

Diversos clubes no futebol mundial, ao cair para séries inferiores, se organizaram e voltaram por cima fazendo, inclusive, bons campeonatos nas séries principais. Cair de série significa que algo deu errado e isto não é obviedade e nem redundância, é constatação que muita gente arrogante acaba não avaliando.

É o caso de clubes como o Avaí, por exemplo, que tomam o apelido de golfinho, porque, ao cair, não avaliam os erros de planejamento e as atitudes, ficando apenas no discurso songa-monga de “falta de dinheiro”. Aliás, sequer fazem alguma iniciativa para ganhar dinheiro, apelando para as migalhas oferecidas pelas redes de TV.

Clubes que querem participar de um campeonato, mas sem muitas ambições dá nisso aí. O lamento de falta de dinheiro não convence mais, se você está sempre no limite. Aliás, isto ocorre com 90% dos clubes do futebol brasileiro e o Avaí não está fora disso.

E aí vamos bater, sempre, na mesma tecla: gastar com parcimônia.

Não dá para jogar uma série A e indo no pau a pau com as outras equipes? Se organize na Série B. Se estruture ali. Coloque jogadores das categorias de base junto com alguns mais experientes e monte um time ao menos competitivo.

Não dá para fazer isto também na B? Faça na Série C. Se organize por lá e suba com os cofres arejados.

– Ah, mas a torcida não vai se conformar.

Foda-se!

Ué, não estão dizendo que o Avaí joga a Série A apenas pra se manter, pra não cair? Então também seja sincero e diga, com todas as palavras e verbos, que jogará uns três anos na Série B ou mesmo na C, até se organizar. Isso é planejamento e não o que fazem agora, trocando o pneu com o carro andando.

Quer arrumar dinheiro? Comece com um plano de marketing decente, profissional, ativo e dinâmico para, por exemplo, agregar sócios. Um plano no qual os sócios se sintam verdadeiramente “donos do clube” e não um arremedo para lhes tirar dinheiro e oferecer agruras, mazelas, choros livres e desculpas furadas. Comece por aí.

Porque, quando as dificuldades vierem, estes “sócios” serão capazes de retomar a vida do clube e fazê-lo voltar ao caminho e ao rumo das grandes vitórias.

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O sono da feijoada

Se tivermos dois times de futebol em campo, um que não saiba propor um jogo de ataque e outro que abdique de atacar, veremos o que? Se o leitor disser empate, acertará a metade. Teremos, também, um jogo murrinha, chato e sem graça. O famoso jogo não-quero-e-não-gosto-de-jogar-futebol. E fazendo beicinho e batendo o pezinho.

Sim, quando a gente considera que numa partida de futebol o objetivo é fazer gol para vencer o jogo, e os dois times em campo não se dediquem a isto, teremos uma partida sofrível. Pois foi o que (não!) fizeram Avaí e Ponte Preta nesta tarde/noite friazinha de domingo, na Ressacada. Não jogaram bola. Houve algumas ameças, um ataquezinho aqui ou ali, uma jogadinha meia-boca, mas no geral foi uma sonolência detestável para quem joga numa Série A de campeonato brasileiro.

Depois do bônus de vantagem dado ao técnico Claudinei Oliveira pelo goleiro Douglas, na partida vitoriosa contra o Botafogo (sim, o técnico do Avaí seria demitido naquele jogo), imaginava-se que, agora em casa, a boa fase invicta de um jogo seria aproveitada e o treinador botaria o time para jogar bola, ao invés daquele joguinho cerca-lourenço que ele costuma fazer.

Que nada!

O Avaí entrou em campo, jogando em casa, com a “quase” obrigação de vencer um adversário direto na luta pelo rebaixamento, sem muita força e poder de decisão e caindo na esperteza da Ponte Preta, que também não queria jogar.

Alguns jogadores, que antes renderam alguma coisa, deixaram-se cair na marcação eficiente do adversário, mantendo-se travados o tempo inteiro. Foi um jogo sonolento e indigesto, bem ao estilo de quem come uma feijoada pesada.

De concreto, sabe-se que o time tem um meio de zaga sólido, um goleiro de primeira linha, e um ataque que até pode render alguma coisa lá nas próximas rodadas. O restante ainda deve bastante e, a se manter assim, nos mandará para a Série B mais rápido do que se imaginava.

As viúvas de ex-jogadores, sem dúvida, vão se deliciar com isto.

A zebra que ruge

Meus amigos, como é bom escrever um texto após uma vitória importante do Avaí. Uma partida jogada na força e na garra características do Leão. Era algo que a gente clamava desde o segundo turno do catarinense, quando alguns dentro do clube acharam que já eram o Barcelona e desprezaram o jeito de jogar futebol. Evidentemente que foi uma zebra astronômica, uma vez que era dada como certa a derrota acachapante do Avaí, sob todos os aspectos.

O prognóstico não nos era favorável, exceto pela comissão técnica, por alguns jogadores (sim, nem todos acreditavam), alguns diretores e por aqueles torcedores que se acham donos do clube, aqueles que dizem que só se pode ir ao estádio para torcer. O resto, a maioria, cravava coluna um de olhos vedados, este blogueiro inclusive. Mas, o Avaí derrubou cartoleiros, alterou a lógica das redes sociais e desfez todas as festas patrocinadas pelos meios de comunicação, que veriam, segundo eles, uma goleada histórica dada pelo Botafogo no Engenhão.

É bom dizer que não saímos apenas da incômoda lanterna. Não foram apenas mais três pontos para a continuidade do campeonato. Esta vitória representa que há muito o que fazer e que ainda há possibilidade de se almejar algo melhor ali na frente. Foi uma valorização do campeonato, jogando com determinação e não uma singela troca de posições.

Porém, eu faço uma pergunta? Precisava passar por tudo isto?

Fazendo uma análise rápida do jogo, fizemos uma partida correta, como deve ser para nossas limitações. Pelo contexto do campeonato e pela diferença de elencos, era evidente que o Botafogo iria pressionar o Avaí. E depois de haver tomado dois gols, a pressão foi maior ainda. Mas a entrega dos jogadores e aliado à excelente atuação do goleiro Douglas “Neuer”, o Avaí conseguiu uma vitória fabulosa para a continuação do campeonato.

E é nisso aí que volta a se fazer a ficha cair. Tivemos um goleiro na Série B que praticamente deu o acesso ao Avaí. O jogo contra o Botafogo, a propósito, foi igualzinho ao que se viu no ano passado. Alguém se lembra do jogo contra o Vasco? Portanto, minha publicação referente a goleiros continua de pé.

Esperamos, contudo, que esta situação se repita. Se é para ficar na Série A e não fazendo aventuras, como jogamos na Série B, que se mantenha o goleiro e se volte com a velha raça. É o que nos basta!

Demitir técnico não é falta de planejamento

É comum se dizer que a demissão de técnico revela falta de planejamento de um clube de futebol. Que o trabalho de um treinador, ao ser interrompido assim que as derrotas se acumulam, não teria tempo para que houvesse uma campanha regular, haja vista a intempestividade de diretores.

É uma lógica torta, que atesta, impreterivelmente, que o ato de planejar uma campanha ou temporada requer manter o técnico, mesmo que as suas propostas sejam ruins, que os jogadores não entendam as suas convicções e que os resultados não venham. Na verdade, nem é lógica torta, mas teimosia mesmo.

A maioria das pessoas ouve isto vindo de analistas “ixpecializados” por aí e adota sem nem mesmo pensar na bobagem deste singelo enunciado. Naturalmente, se valem do que ocorre na Europa, onde os técnicos têm vida longa diante dos clubes.

Ora, muitos espertos esquecem que o retrospecto dos clubes lá nos países ditos civilizados é pela manutenção de seus jogadores. Dificilmente se observa, em campeonatos europeus, uma debandada de um elenco como o que ocorre no Brasil. É muito comum por aqui, que a cada seis meses, tempo entre os campeonatos estaduais e os campeonatos brasileiros em suas diversas séries, os clubes montem e remontem seus elencos, seja por necessidade técnica, por fim dos contratos, ou por negociação mesmo.

Embora na Europa haja grandes negociações de jogadores, a dinâmica do mercado, o tal entra-e-sai se dá em países como o nosso. Assim, é bom se perceber que o problema não está em se manter ou não um treinador, mas em garantir que durante toda uma temporada o elenco se mantenha. Porque, se ninguém sabe, o que garante bom desempenho de um time é, em primeiro lugar, o entrosamento, coisa que condiciona, por exemplo, um aprimoramento tático proporcionado pelo técnico que estiver de plantão.

É por isso que os times que dão certo ao longo das temporadas são aqueles que mantêm a maioria de seus jogadores, os que acabam criando vínculos no clube com as campanhas disputadas em conjunto, diferente dos que habitualmente proporcionam desmanches a cada campeonato.

Portanto, contratar um novo técnico, quando o time já é bem diferente daquele que iniciou com o técnico antigo, torna-se salutar para que se oxigenem as pretensões e revejam posturas e critérios. Não há nada absurdo nisto.

Claudinei pode fazer as malas, a vida segue.

De lambança em lambança…

Durante e após as lambanças no jogo do Avaí contra o Fluminense, alguns torcedores, com o característico medo de se dizer a verdade, esbravejavam; “agora vão aparecer uma porção de donos da verdade para detonar tudo e a todos”. Besteira! Isto é dito por quem não quer ver o óbvio. Ninguém é dono da verdade.

Enxergar um jogo de futebol não é fácil, mas também não é tão difícil assim. Ao montar um time, a primeira coisa que se faz é contratar um goleiro. E é óbvio isso. Aliás, duas coisas são óbvias no futebol: ter uma bola para se jogar e um goleiro no time. Tanto é verdade, que quando se vai jogar as habituais peladinhas de quarta-feira à noite, ou as de sábado à tarde depois do churrasco, se chama alguém para “agarrar”. Normalmente é o pereba da turma, mas que deve mandar alguma coisa debaixo das traves. E, mais óbvio ainda, se ele também for um pereba debaixo das traves, o seu time perde.

Portanto, ter goleiro num time de futebol é imprescindível, é fundamental, e é a profissão ou função a qual não se dá muito valor, mas que se mostra extremamente importante para o andamento de uma partida e a consistência num campeonato.

O Avaí tinha um goleiro. Aliás, um supergoleiro, quase um X-Men. Ele literalmente operou milagres quando o Avaí disputou a série B de 2016. Foi quem fez o time ser efetivo e eficiente naquela competição. Credito 70% ou até mais de responsabilidade dele naqueles jogos. E digo isso, enfaticamente, porque não brigo com os números. Se alguém quiser achar defeitos no Renan, que mude de esporte, vá assistir golfe, críquete ou badminton.

Mas, aí, faltou conversar com o goleiro Renan. Ou se conversou com aquela torpeza típica dos sem-humildade: aqui é Avaí e ninguém fará leilão dentro da Ressacada. O Avaí (ou sua diretoria e alguns torcedores) achava que havia ganhado uma Copa do Mundo com um baita time. Time de monstrão, lembram?

Fantástico! Valeu, presidente! És um monstro! E começou, ali, a nossa saga para os fracassos e rebaixamento em 2017.

O mais do mesmo (parte 2)

Uma coisa que eu aprendi, neste anos como torcedor e sócio do clube o qual me dediquei a gostar e a torcer, é algo que poucos conhecem: respeito. Quando tudo acabar, deve restar, ao menos, essa coisa tão importante.

Muita gente que senta nas confortáveis cadeiras acolchoadas da administração do clube sequer sabe o que é isso, o que é enfrentar fila, sentar nas arquibancadas sob sol escaldante, frio enregelante, chuva resfrienta, mas o torcedor vai lá, se incomoda, se indigna, chora, ri, sofre, aplaude, e se decepciona na maioria das vezes. Os dirigentes não sabem o que é isso. Nunca souberam. Não sabem o que é suportar as agruras dos vexames. Eles não têm respeito pelo clube. Aliás, há quem se incomode com isso, quando a gente aponta as verdades. Acham que torcemos contra apenas pra provar nossas razões, que não devemos ir a um jogo já sabendo que vamos perder, só importando o placar. Bobagens!

O que me leva a apontar estes erros infantis é gente querendo inventar a roda e se fazendo de esperto.

Mas, não vou me alongar nas lamentações do que está acontecendo no Avaí, coisa que vem desde a administração do Amado e se estende vergonhosamente na administração do maçon da hora. Por isso, como disse na postagem anterior, vou mandar um CRTL+C – CRTL+V do que já escrevi, para provar que não sou comentarista de resultado.

Este texto eu escrevi em janeiro deste ano, 2017, com este título, O mais do mesmo. Já antevia os problemas que se acumulariam neste ano.

Não vou fazer terra arrasada do primeiro jogo do Avaí na temporada, com jogadores vindo das preparações físicas, visivelmente travados e jogando na limitação de suas “habilidades”. Não sou oportunista. Seria muito prático sair detonando este ou aquele jogador, apontar erros de goleiro, de zagueiro, do próprio treinador, copiar e colar os comentários das redes sociais, pródigas em comentários de resultados, pensando com o fígado e analisando com os roncos do estômago.

Não farei isto, pois a responsabilidade pouco cabe a estes jogadores.

Mas, é óbvio para quem assiste a jogos de futebol, para quem sabe o que é impedimento, pênalti e conhece o peso da bola, que o Avaí deixou a desejar. O que vimos não foi bonito. Aliás, o próprio Paraná jogou mal, com a diferença que eles jogavam em casa e a motivação era maior.

E como eu destaquei na postagem anterior, A falta de compromisso, ainda falta vergonha na cara de alguns.

Mas, venha aqui, torcedor, bem aqui no cantinho. Vamos conversar com serenidade e parcimônia.

Não está igual ao ano passado? Eu, particularmente, assisti a poucos jogos do time na série B. Porém, o jogo jogado pelo Avaí nesta quarta-feira não era igualzinho aos jogos que todos viram, em 2016, e que culminaram no acesso?

E qual foi a diferença?

O goleiro Renan, claro, quer se queira ou não, ganhou pelo menos 70% dos jogos da temporada da Série B. Os times adversários iam até a nossa zaga, martelavam, martelavam, martelavam e não faziam gol, porque ele operou verdadeiros milagres. É ou não é? O Avaí ia ao ataque e fazia um golzinho. Ganhava os jogos em casa, empatava fora, perdia de pouco e assim foi levando, até chegar à classificação. Foi um empurrobarrigômetro espetacular.

Foi ou não foi?

Então, meu caro, relaxa. Vai ser tudo igual, com a diferença que agora não tem o Renan.

Portanto, prenúncios de fortes emoções.

É, pois é, isso aí é o Avaí.

No barraco dos fracassados

Em tempos de crise sempre surge aquela velha discussão do pessimismo ou do otimismo. Há o grupo de quem sempre acredita que as coisas podem melhorar e há quem ache que se pode fechar o caixão e beijar a viúva. No entanto, entremeado a isto, está o realista, o que analisa e pondera, e aponta soluções.

Naquela velha fábula de copo meio cheio ou copo meio vazio, é o que avalia se o copo serve para cerveja, vinho, se é para guardar moedas ou tomar água mesmo. Normalmente, o realista é o mais criticado dos que têm alguma opinião, considerado o que vive em cima do muro e que não se mete em celeumas. É confundido, na maioria das vezes, com um pessimista. Longe de ser um sonhador, é o que convive naturalmente entre o possível e o real, que expõe a verdade nua e crua. E isto incomoda.

É o que eu tenho feito em relação à campanha do Avaí, neste campeonato brasileiro, que é consequência também da Gestão do Amado. A inércia e a fraqueza na tomada de decisões são gritantes, cujos resultados estão aí, estampados. E com desdém irremediável em jogar a Série A. Sim, o Avaí não se importa em jogar a Série A, está ali apenas para levantar uns trocados e pagar dívidas. “Não é o nosso campeonato”, dizem, a cada fracasso.

Até onde sabemos, qualquer time de futebol tem um desejo enorme em disputar o campeonato brasileiro. Eles se viram e se preparam para jogar os jogos mais encardidos de todos os campeonatos do mundo e comemoram efusivamente cada conquista. É aqui, em terras tupiniquins, onde se encontra uma das maiores páginas da história do futebol mundial.

Menos para o Avaí. Conte-me o torcedor em qual campeonato da Série A entramos para, ao menos, beliscar uma posição entre os dez melhores da competição? Ser diferente na tabela? Disputar uma vaga para uma sul-americana ao menos? Rapidamente alguém tentará discordar e apontar quem em 2009 fizemos uma campanha monstruosa, terminando num honroso 6º. lugar. Sim, foi, mas a ideia era jogar pra não cair e se ninguém desse um tapa nas costas do Silas, até hoje estaríamos recordando uma queda natural.

Em todas as versões, nossa participação é lutar pra não cair, jogar para ficar uma posição acima dos rebaixados e logo a velha lógica dos medíocres, que diz “o que vier é lucro”, vem na ponta língua. O Avaí é aquele soldado que entra na guerra pra não tomar tiro e dormir no barraco do quartel, onde ficam os covardes e fracassados, o que já está de bom tamanho, segundo essa ideologia. Há quem diga que é por causa de dinheiro, que é pra não fazer dívidas, ou ainda, a mais ridícula, a de que não temos condições de lutar de igual para igual com os grandes.

Bom, se o nosso copo serve para cerveja, vinho ou água ainda não se sabe, mas já temos certeza que querem escondê-lo na prateleira de baixo, porque para guardar moedas é que não serve. E deixem-no quieto ali, sem essa mania de querer apontar erros, dirão os “donos do clube”.