Voo de galinha

É difícil de acreditar, mas o Avaí é aquele tipo de time que consegue a insuperável marcar de fazer errado nas piores horas. É sério. Não conheço outro time no futebol brasileiro que seja capaz das façanhas mais estapafúrdias do que as deste meu time.

Ele é candidatíssimo a rebaixamento, mas aí se supera em jogos memoráveis e então, quando parece que a coisa pode engrenar, ele consegue os piores feitos e as piores jornadas. E, mais incrível ainda, coisas feitas por ele mesmo.

Quer ver uma coisa?

O time joga três partidas arrumadinho, acertado, com todo mundo pegando junto, tendo o seu goleiro como sensação da rodada, um atacante em ascensão, a zaga pegando forte, a marcação encaixada e aí, quando se pensa no “agora vai”…. os treineiros avaianos quebram a velha máxima do futebol, a de que time que está ganhando não se mexe. E mexeram. E escangalharam tudo.

O que é que os treineiros avaianos tinham que colocar esta inhaca de Marquinhos em campo? Deosolivreô.

– Ah, mas o Juan jogou mal.

Sim, cara-pálida, todo time joga mal, porque tem que jogar em função dele, nas limitações dele, cobrindo a falta de mobilidade dele, falta de marcação, a não-imposição de jogo. Jogamos sempre com um a menos. Mas será o benedito que ainda não se percebeu isto?

Eu já disse que estava quase largando. Pois na próxima rodada, se a escalação vier com Marquinhos Santos como titular eu mudo de rota. Nem chego perto da Ressacada. Não dá mais.

Um chocolate muito amargo

A rodada prognosticava ao Avaí tomar um chocolate gorduroso e volumoso diante do Grêmio, em plena Arena, e voltar para casa com o bagageiro cheio. Seria daquelas goleadas gigantescas, apoteóticas, absurdas e incontestáveis.

Tirando os torcedores que se acham donos do clube, os torcedores exaltados e aqueles iludidos, o restante dos 90% de torcedores (este blogueiro incluso) não acreditava que o Avaí viesse com um resultado positivo de Porto Alegre. Um empate era a constatação de um milagre. Uma vitória, então, seria um sonho.

Mas, o chocolate que seria saboroso para o Grêmio ficou amargo, azedo e rançoso. Ele esbarrou contra uma autêntica muralha, o goleiro Douglas Neuer, do Avaí, em tarde mais do que inspirada e fazendo todos se perguntarem, já no seu terceiro jogo, qual multa o técnico Claudinei deverá pagar à direção do clube, ou qual satisfação dará à torcida por sua teimosia em manter o goleiro Koslinski por muitas rodadas.

Eu sou da opinião de que as pessoas devem ter suas convicções, manter ideias fundamentadas, emitir uma apreciação, um conceito, um juízo sobre qualquer assunto e defendê-lo como lhes convier. Mas as circunstâncias podem fazer o gajo mudar um conceito ou uma visão, em razão do benefício que será obtido lá na frente. A sua manutenção, mesmo sob fortes reveses, indica teimosia, murrinha, capricho e pirraça, o que pode comprometer, por exemplo, um projeto sério, ainda mais sendo um dos responsáveis pelo projeto.

A propósito, quem sabe um pouquinho daquilo que se joga dentro das quatro linhas do futebol, admite sem errar que o Avaí subiu em 2016 para a Série A graças ao goleiro Renan, responsável por 70% do acesso. E que não renovou por melindres, que isto fique bem claro. Muito foi avisado, portanto, que esta mudança agora, dos goleiros, deveria ocorrer, pelo óbvio que foi assistido neste domingo, mas a comissão técnica avaiana preferiu se fazer de surda e adotar uma postura que só ela sabe. Assim como a diretoria executiva, que agora vem a público lavar roupa suja e tentar se livrar das trapalhadas de um projeto o qual ela também é responsável.

É a população de inventores da roda querendo ser mais necessitada que o gás da Coca.

E então a gente percebe, depois de algumas mudanças tão requeridas terem sido atendidas, que os resultados são aqueles que já se antecipavam lá atrás.

Felizmente, alguns jogadores estão se superando e, ao menos, fazendo um campeonato com alguma dignidade, por que, se fôssemos depender de dirigentes e treinadores avaianos…

Quem cai tem que subir

Diversos clubes no futebol mundial, ao cair para séries inferiores, se organizaram e voltaram por cima fazendo, inclusive, bons campeonatos nas séries principais. Cair de série significa que algo deu errado e isto não é obviedade e nem redundância, é constatação que muita gente arrogante acaba não avaliando.

É o caso de clubes como o Avaí, por exemplo, que tomam o apelido de golfinho, porque, ao cair, não avaliam os erros de planejamento e as atitudes, ficando apenas no discurso songa-monga de “falta de dinheiro”. Aliás, sequer fazem alguma iniciativa para ganhar dinheiro, apelando para as migalhas oferecidas pelas redes de TV.

Clubes que querem participar de um campeonato, mas sem muitas ambições dá nisso aí. O lamento de falta de dinheiro não convence mais, se você está sempre no limite. Aliás, isto ocorre com 90% dos clubes do futebol brasileiro e o Avaí não está fora disso.

E aí vamos bater, sempre, na mesma tecla: gastar com parcimônia.

Não dá para jogar uma série A e indo no pau a pau com as outras equipes? Se organize na Série B. Se estruture ali. Coloque jogadores das categorias de base junto com alguns mais experientes e monte um time ao menos competitivo.

Não dá para fazer isto também na B? Faça na Série C. Se organize por lá e suba com os cofres arejados.

– Ah, mas a torcida não vai se conformar.

Foda-se!

Ué, não estão dizendo que o Avaí joga a Série A apenas pra se manter, pra não cair? Então também seja sincero e diga, com todas as palavras e verbos, que jogará uns três anos na Série B ou mesmo na C, até se organizar. Isso é planejamento e não o que fazem agora, trocando o pneu com o carro andando.

Quer arrumar dinheiro? Comece com um plano de marketing decente, profissional, ativo e dinâmico para, por exemplo, agregar sócios. Um plano no qual os sócios se sintam verdadeiramente “donos do clube” e não um arremedo para lhes tirar dinheiro e oferecer agruras, mazelas, choros livres e desculpas furadas. Comece por aí.

Porque, quando as dificuldades vierem, estes “sócios” serão capazes de retomar a vida do clube e fazê-lo voltar ao caminho e ao rumo das grandes vitórias.

O sono da feijoada

Se tivermos dois times de futebol em campo, um que não saiba propor um jogo de ataque e outro que abdique de atacar, veremos o que? Se o leitor disser empate, acertará a metade. Teremos, também, um jogo murrinha, chato e sem graça. O famoso jogo não-quero-e-não-gosto-de-jogar-futebol. E fazendo beicinho e batendo o pezinho.

Sim, quando a gente considera que numa partida de futebol o objetivo é fazer gol para vencer o jogo, e os dois times em campo não se dediquem a isto, teremos uma partida sofrível. Pois foi o que (não!) fizeram Avaí e Ponte Preta nesta tarde/noite friazinha de domingo, na Ressacada. Não jogaram bola. Houve algumas ameças, um ataquezinho aqui ou ali, uma jogadinha meia-boca, mas no geral foi uma sonolência detestável para quem joga numa Série A de campeonato brasileiro.

Depois do bônus de vantagem dado ao técnico Claudinei Oliveira pelo goleiro Douglas, na partida vitoriosa contra o Botafogo (sim, o técnico do Avaí seria demitido naquele jogo), imaginava-se que, agora em casa, a boa fase invicta de um jogo seria aproveitada e o treinador botaria o time para jogar bola, ao invés daquele joguinho cerca-lourenço que ele costuma fazer.

Que nada!

O Avaí entrou em campo, jogando em casa, com a “quase” obrigação de vencer um adversário direto na luta pelo rebaixamento, sem muita força e poder de decisão e caindo na esperteza da Ponte Preta, que também não queria jogar.

Alguns jogadores, que antes renderam alguma coisa, deixaram-se cair na marcação eficiente do adversário, mantendo-se travados o tempo inteiro. Foi um jogo sonolento e indigesto, bem ao estilo de quem come uma feijoada pesada.

De concreto, sabe-se que o time tem um meio de zaga sólido, um goleiro de primeira linha, e um ataque que até pode render alguma coisa lá nas próximas rodadas. O restante ainda deve bastante e, a se manter assim, nos mandará para a Série B mais rápido do que se imaginava.

As viúvas de ex-jogadores, sem dúvida, vão se deliciar com isto.

A zebra que ruge

Meus amigos, como é bom escrever um texto após uma vitória importante do Avaí. Uma partida jogada na força e na garra características do Leão. Era algo que a gente clamava desde o segundo turno do catarinense, quando alguns dentro do clube acharam que já eram o Barcelona e desprezaram o jeito de jogar futebol. Evidentemente que foi uma zebra astronômica, uma vez que era dada como certa a derrota acachapante do Avaí, sob todos os aspectos.

O prognóstico não nos era favorável, exceto pela comissão técnica, por alguns jogadores (sim, nem todos acreditavam), alguns diretores e por aqueles torcedores que se acham donos do clube, aqueles que dizem que só se pode ir ao estádio para torcer. O resto, a maioria, cravava coluna um de olhos vedados, este blogueiro inclusive. Mas, o Avaí derrubou cartoleiros, alterou a lógica das redes sociais e desfez todas as festas patrocinadas pelos meios de comunicação, que veriam, segundo eles, uma goleada histórica dada pelo Botafogo no Engenhão.

É bom dizer que não saímos apenas da incômoda lanterna. Não foram apenas mais três pontos para a continuidade do campeonato. Esta vitória representa que há muito o que fazer e que ainda há possibilidade de se almejar algo melhor ali na frente. Foi uma valorização do campeonato, jogando com determinação e não uma singela troca de posições.

Porém, eu faço uma pergunta? Precisava passar por tudo isto?

Fazendo uma análise rápida do jogo, fizemos uma partida correta, como deve ser para nossas limitações. Pelo contexto do campeonato e pela diferença de elencos, era evidente que o Botafogo iria pressionar o Avaí. E depois de haver tomado dois gols, a pressão foi maior ainda. Mas a entrega dos jogadores e aliado à excelente atuação do goleiro Douglas “Neuer”, o Avaí conseguiu uma vitória fabulosa para a continuação do campeonato.

E é nisso aí que volta a se fazer a ficha cair. Tivemos um goleiro na Série B que praticamente deu o acesso ao Avaí. O jogo contra o Botafogo, a propósito, foi igualzinho ao que se viu no ano passado. Alguém se lembra do jogo contra o Vasco? Portanto, minha publicação referente a goleiros continua de pé.

Esperamos, contudo, que esta situação se repita. Se é para ficar na Série A e não fazendo aventuras, como jogamos na Série B, que se mantenha o goleiro e se volte com a velha raça. É o que nos basta!

Demitir técnico não é falta de planejamento

É comum se dizer que a demissão de técnico revela falta de planejamento de um clube de futebol. Que o trabalho de um treinador, ao ser interrompido assim que as derrotas se acumulam, não teria tempo para que houvesse uma campanha regular, haja vista a intempestividade de diretores.

É uma lógica torta, que atesta, impreterivelmente, que o ato de planejar uma campanha ou temporada requer manter o técnico, mesmo que as suas propostas sejam ruins, que os jogadores não entendam as suas convicções e que os resultados não venham. Na verdade, nem é lógica torta, mas teimosia mesmo.

A maioria das pessoas ouve isto vindo de analistas “ixpecializados” por aí e adota sem nem mesmo pensar na bobagem deste singelo enunciado. Naturalmente, se valem do que ocorre na Europa, onde os técnicos têm vida longa diante dos clubes.

Ora, muitos espertos esquecem que o retrospecto dos clubes lá nos países ditos civilizados é pela manutenção de seus jogadores. Dificilmente se observa, em campeonatos europeus, uma debandada de um elenco como o que ocorre no Brasil. É muito comum por aqui, que a cada seis meses, tempo entre os campeonatos estaduais e os campeonatos brasileiros em suas diversas séries, os clubes montem e remontem seus elencos, seja por necessidade técnica, por fim dos contratos, ou por negociação mesmo.

Embora na Europa haja grandes negociações de jogadores, a dinâmica do mercado, o tal entra-e-sai se dá em países como o nosso. Assim, é bom se perceber que o problema não está em se manter ou não um treinador, mas em garantir que durante toda uma temporada o elenco se mantenha. Porque, se ninguém sabe, o que garante bom desempenho de um time é, em primeiro lugar, o entrosamento, coisa que condiciona, por exemplo, um aprimoramento tático proporcionado pelo técnico que estiver de plantão.

É por isso que os times que dão certo ao longo das temporadas são aqueles que mantêm a maioria de seus jogadores, os que acabam criando vínculos no clube com as campanhas disputadas em conjunto, diferente dos que habitualmente proporcionam desmanches a cada campeonato.

Portanto, contratar um novo técnico, quando o time já é bem diferente daquele que iniciou com o técnico antigo, torna-se salutar para que se oxigenem as pretensões e revejam posturas e critérios. Não há nada absurdo nisto.

Claudinei pode fazer as malas, a vida segue.

De lambança em lambança…

Durante e após as lambanças no jogo do Avaí contra o Fluminense, alguns torcedores, com o característico medo de se dizer a verdade, esbravejavam; “agora vão aparecer uma porção de donos da verdade para detonar tudo e a todos”. Besteira! Isto é dito por quem não quer ver o óbvio. Ninguém é dono da verdade.

Enxergar um jogo de futebol não é fácil, mas também não é tão difícil assim. Ao montar um time, a primeira coisa que se faz é contratar um goleiro. E é óbvio isso. Aliás, duas coisas são óbvias no futebol: ter uma bola para se jogar e um goleiro no time. Tanto é verdade, que quando se vai jogar as habituais peladinhas de quarta-feira à noite, ou as de sábado à tarde depois do churrasco, se chama alguém para “agarrar”. Normalmente é o pereba da turma, mas que deve mandar alguma coisa debaixo das traves. E, mais óbvio ainda, se ele também for um pereba debaixo das traves, o seu time perde.

Portanto, ter goleiro num time de futebol é imprescindível, é fundamental, e é a profissão ou função a qual não se dá muito valor, mas que se mostra extremamente importante para o andamento de uma partida e a consistência num campeonato.

O Avaí tinha um goleiro. Aliás, um supergoleiro, quase um X-Men. Ele literalmente operou milagres quando o Avaí disputou a série B de 2016. Foi quem fez o time ser efetivo e eficiente naquela competição. Credito 70% ou até mais de responsabilidade dele naqueles jogos. E digo isso, enfaticamente, porque não brigo com os números. Se alguém quiser achar defeitos no Renan, que mude de esporte, vá assistir golfe, críquete ou badminton.

Mas, aí, faltou conversar com o goleiro Renan. Ou se conversou com aquela torpeza típica dos sem-humildade: aqui é Avaí e ninguém fará leilão dentro da Ressacada. O Avaí (ou sua diretoria e alguns torcedores) achava que havia ganhado uma Copa do Mundo com um baita time. Time de monstrão, lembram?

Fantástico! Valeu, presidente! És um monstro! E começou, ali, a nossa saga para os fracassos e rebaixamento em 2017.