Demitir técnico não é falta de planejamento

É comum se dizer que a demissão de técnico revela falta de planejamento de um clube de futebol. Que o trabalho de um treinador, ao ser interrompido assim que as derrotas se acumulam, não teria tempo para que houvesse uma campanha regular, haja vista a intempestividade de diretores.

É uma lógica torta, que atesta, impreterivelmente, que o ato de planejar uma campanha ou temporada requer manter o técnico, mesmo que as suas propostas sejam ruins, que os jogadores não entendam as suas convicções e que os resultados não venham. Na verdade, nem é lógica torta, mas teimosia mesmo.

A maioria das pessoas ouve isto vindo de analistas “ixpecializados” por aí e adota sem nem mesmo pensar na bobagem deste singelo enunciado. Naturalmente, se valem do que ocorre na Europa, onde os técnicos têm vida longa diante dos clubes.

Ora, muitos espertos esquecem que o retrospecto dos clubes lá nos países ditos civilizados é pela manutenção de seus jogadores. Dificilmente se observa, em campeonatos europeus, uma debandada de um elenco como o que ocorre no Brasil. É muito comum por aqui, que a cada seis meses, tempo entre os campeonatos estaduais e os campeonatos brasileiros em suas diversas séries, os clubes montem e remontem seus elencos, seja por necessidade técnica, por fim dos contratos, ou por negociação mesmo.

Embora na Europa haja grandes negociações de jogadores, a dinâmica do mercado, o tal entra-e-sai se dá em países como o nosso. Assim, é bom se perceber que o problema não está em se manter ou não um treinador, mas em garantir que durante toda uma temporada o elenco se mantenha. Porque, se ninguém sabe, o que garante bom desempenho de um time é, em primeiro lugar, o entrosamento, coisa que condiciona, por exemplo, um aprimoramento tático proporcionado pelo técnico que estiver de plantão.

É por isso que os times que dão certo ao longo das temporadas são aqueles que mantêm a maioria de seus jogadores, os que acabam criando vínculos no clube com as campanhas disputadas em conjunto, diferente dos que habitualmente proporcionam desmanches a cada campeonato.

Portanto, contratar um novo técnico, quando o time já é bem diferente daquele que iniciou com o técnico antigo, torna-se salutar para que se oxigenem as pretensões e revejam posturas e critérios. Não há nada absurdo nisto.

Claudinei pode fazer as malas, a vida segue.

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