No barraco dos fracassados

Em tempos de crise sempre surge aquela velha discussão do pessimismo ou do otimismo. Há o grupo de quem sempre acredita que as coisas podem melhorar e há quem ache que se pode fechar o caixão e beijar a viúva. No entanto, entremeado a isto, está o realista, o que analisa e pondera, e aponta soluções.

Naquela velha fábula de copo meio cheio ou copo meio vazio, é o que avalia se o copo serve para cerveja, vinho, se é para guardar moedas ou tomar água mesmo. Normalmente, o realista é o mais criticado dos que têm alguma opinião, considerado o que vive em cima do muro e que não se mete em celeumas. É confundido, na maioria das vezes, com um pessimista. Longe de ser um sonhador, é o que convive naturalmente entre o possível e o real, que expõe a verdade nua e crua. E isto incomoda.

É o que eu tenho feito em relação à campanha do Avaí, neste campeonato brasileiro, que é consequência também da Gestão do Amado. A inércia e a fraqueza na tomada de decisões são gritantes, cujos resultados estão aí, estampados. E com desdém irremediável em jogar a Série A. Sim, o Avaí não se importa em jogar a Série A, está ali apenas para levantar uns trocados e pagar dívidas. “Não é o nosso campeonato”, dizem, a cada fracasso.

Até onde sabemos, qualquer time de futebol tem um desejo enorme em disputar o campeonato brasileiro. Eles se viram e se preparam para jogar os jogos mais encardidos de todos os campeonatos do mundo e comemoram efusivamente cada conquista. É aqui, em terras tupiniquins, onde se encontra uma das maiores páginas da história do futebol mundial.

Menos para o Avaí. Conte-me o torcedor em qual campeonato da Série A entramos para, ao menos, beliscar uma posição entre os dez melhores da competição? Ser diferente na tabela? Disputar uma vaga para uma sul-americana ao menos? Rapidamente alguém tentará discordar e apontar quem em 2009 fizemos uma campanha monstruosa, terminando num honroso 6º. lugar. Sim, foi, mas a ideia era jogar pra não cair e se ninguém desse um tapa nas costas do Silas, até hoje estaríamos recordando uma queda natural.

Em todas as versões, nossa participação é lutar pra não cair, jogar para ficar uma posição acima dos rebaixados e logo a velha lógica dos medíocres, que diz “o que vier é lucro”, vem na ponta língua. O Avaí é aquele soldado que entra na guerra pra não tomar tiro e dormir no barraco do quartel, onde ficam os covardes e fracassados, o que já está de bom tamanho, segundo essa ideologia. Há quem diga que é por causa de dinheiro, que é pra não fazer dívidas, ou ainda, a mais ridícula, a de que não temos condições de lutar de igual para igual com os grandes.

Bom, se o nosso copo serve para cerveja, vinho ou água ainda não se sabe, mas já temos certeza que querem escondê-lo na prateleira de baixo, porque para guardar moedas é que não serve. E deixem-no quieto ali, sem essa mania de querer apontar erros, dirão os “donos do clube”.

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