Com emoção, mas sem aventuras

E a Chapecoense foi campeã. Não errei meu prognóstico, queria muito queimar a língua, mas deu a lógica. Com méritos ou não, com força da mídia ou não, com a ajuda da arbitragem, sim, a Chapecoense levou.

Reclamei aqui, por diversas vezes, que o Avaí, por não ter investido e achado que tinha um time competitivo, não teria forças para chegar. Sim, jogou a final e méritos por isso, mas eu quero é título. Desculpa se isso incomoda aos babões de ocasião que pensam pequeno, mas eu não me contento com jogar para participar. Aliás, curioso que quem defende esta lógica, torcia para o Avaí ser campeão. Se contenta com pouco, mas quer ser campeão? Não entendi.

Como também não entendi a entrada de parte da torcida do Avaí no coitadismo direcionado à Chapecoense. Já disse em outra oportunidade que parece ciúme ou inveja. Passaram atestado de o Avaí precisar do tal contra tudo e contra todos. A mistura de situações, como se o Avaí fosse jogar contra o time que desapareceu naquele acidente, chegou à beira do ridículo. Foi criado um clima e caíram como patinhos. Tansos!

O Avaí precisava mostrar, sim, o que ele é, um gigante no futebol catarinense, sem se importar com as vizinhanças. E foi o que fez. Mostrou, em razão disso, que é um time de muita força física, que joga num esquema retranqueiro, todavia apostando em contra-ataques fulminantes, rasga calções e camisa para tentar uma jogada, porém peca achando que um jogador em fim de carreira poderia decidir. Sempre ouvi e li um “quem sabe” para justificar Marquinhos em campo e todos sabemos, quem acompanha futebol, que apostas são riscos. Deu nisso.

Na verdade, parabéns ao grande e eminente presidente avaiano, a última bolacha do pacote e que não faz aventuras, por termos perdido o título quando o Avaí mais precisava de um time. Perdemos o título exatamente no segundo turno, quando foi decidido levar assim mesmo para ver se ia dar certo. Perdemos o título por esta velha e batida fórmula de jogar com o que tem. E quem não ousa ou não investe não chega, pode ser em qualquer lugar da vida, muito mais ainda num negócio altamente competitivo como é o futebol.

Méritos para os jogadores. Mostraram ser capazes, embora limitados. Mostraram a garra avaiana, ainda que seja pouco para ganhar campeonatos. Foram dignos, lutaram, suaram e se esforçaram, não deixando a desejar. Mesmo Marquinhos, de quem sou crítico, que ainda não entendeu que deu, que acabou, que as chuteiras já estão pesadas e os joelhos travados, ainda assim fez o que foi possível e fracassou porque não tem mais condições.

O Avaí, agora, vai para a disputa do Brasileirão como sério candidato ao rebaixamento. Não me iludo pensando ao contrário. Vai ter que lutar muito, suar muito, se esforçar muito e se dedicar como nunca se quiser se manter por mais um ano neste difícil campeonato. A falta de ousadia e gestão de clube feita pelos homens da loja, como se fosse empresa, não gastar para não ficar no vermelho, será cruel para com a torcida, mais uma vez.

O balanço do Avaí no 1o. semestre é um fracasso na Primeira Liga, um fracasso na Copa do Brasil e o vice campeonato estadual. Ah, mas estamos na Série A, porque o importante é não fazer aventuras.

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