O monstrinho da Trol

A Trol®, para quem não sabe, foi uma importante empresa brasileira que fabricava brinquedos, além de outros produtos, e que faliu na década de 1990. Por serem muito populares, seus produtos eram adquiridos em grande quantidade, mas embora fossem bonitos e agradáveis, a sua durabilidade era pequena e frequentemente quebravam devido ao excesso de uso. Normalmente, as crianças que ganhavam o brinquedo no Natal, não o utilizavam na época do Dia das Crianças. Ou vice-e-versa.

É mais ou menos o que ocorre com este time do Avaí. Um brinquedo que foi se desmanchando pelo caminho, a ponto de suas peças, antes bem arranjadas e bonitas, não se encaixarem mais. É de vida curta. Um monstrinho que hoje não intimida mais ninguém.

Eu não assisti à partida jogada contra o Almirante Barroso neste sábado. Tive um compromisso familiar e não pude conferir o show de horrores atestado pelos que na Ressacada compareceram. Porém, pelos relatos, diz-se que o time jogou sua pior partida na temporada.

Bom, embora não tenha sido testemunha, ouso discordar. Este time tem jogado mal em quase todas as partidas da atual temporada. Para falar a verdade, o único jogo que me encheu os olhos foi aquela partida jogada contra a Chapecoense, na Ressacada, ainda pelo primeiro turno. Foram 3 a 0 jogados com maestria e qualidade, como deve ser um time de futebol, onde se viu um grupo com vontade, esmero e técnica apurados. Mas pode ter sido preguiça da Chapecoense também, não se pode saber.

O fato é que, sem ser o dono da cocada preta e jamais querer ser a última bolacha do pacote, tampouco adotar a vaidade dos dirigentes avaianos, tudo o que está ocorrendo eu já previa. Nada disso aí é novidade. Esta série de fracassos era perfeitamente natural, face ao conjunto inferior deste time e cuja diretoria, mais interessada com maquiagens midiáticas, pouco ou nada faz, por causa do tal discurso medíocre de “não fazer aventuras”.

E nem adianta botar culpas em árbitros maldosos, arranjos da Federação para ajudar seu time preferido, na mídia pronta para dar a taça para a Chapecoense, nestas coisas que são bengalas existenciais. Não adianta botar culpa em um goleiro, naquele zagueiro que se esforça, num meio de campo que tenta, mas não tem capacidade técnica. Os jogadores são estes aí mesmos e fazem o que podem, alguns, é claro, se esforçando mais por vaidades do que por empenho para o jogo. Mas nada disso deve ser tomado como motivos para o fracasso. Temos que assumir nossas culpas, que são outras e mais profundas, a síndrome de mediocridade.

Lembro que nas redes sociais há infelizes que acham que eu torço contra. Talvez porque sequer me conheçam, quanto mais imaginar que eu algum dia tenha desejado algo ruim para meu clube de coração. O que observo é, apenas, a realidade sem paixões. E não está difícil de se prever mais desgraças que virão pela frente, a continuar esta inércia instalada nas salas acarpetadas da Ressacada. Dormiram em cima do saco do acesso e acham que os outros não acordaram.

Aliás, vida longa a quem será vice-campeão catarinense sem fazer esforço algum para querer ser algo melhor. Como o Avaí Futebol Clube, por exemplo, um clube que não tem ambição, não quer ir mais longe além de participar dos campeonatos, não tem atletas com poder de decisão, e que apenas quer continuar jogando os campeonatos sem agregar algo a mais em sua vida.

Então, que assim seja.

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