Com o enredo na ponta da língua

Quando a gente vê um sujeito como Célio Amorim apitando um jogo, logo pensa: o futebol tem que ser zerado e reinventado. Foi a frase que usei, nas redes sociais (porque já sabia o que viria pela frente), assim que se iniciou a partida entre Avaí e Joinville, válida pelo estadual mais fácil de ganhar, e que o Avaí complicou.

Célio Amorim não é árbitro de futebol. Ele é um ator convidado pela ópera-bufa que é a Federação Catarinense de Futebol para transformar um jogo que já é encardido numa autêntica demonstração da desfaçatez, amadorismo, cinismo e mediocridade humanos. Com toda a certeza, jogos onde ele apita viram comédias com enredo trágico.

Mas eu não vou perder meu tempo falando de Célio Amorim. E nem dar a velha desculpa de termos sido prejudicados por causa dele. A falta de condições deste apitador para conduzir uma partida é ampliada devido à ruindade dos times, aí sim. E o Avaí segue naturalmente o enredo dos times limitados que se complicam.

Acho que já estamos cansados de ano após ano louvarmos uma partida jogada pelo Avaí onde tenha que prevalecer a raça e a determinação ao invés de um bom futebol. Quantas e quantas temporadas nos contentamos em sair do estádio com um jogo ganhado nos acréscimos, no sufoco, com bolas espirradas, com vontade acima da técnica, com transpiração em lugar da inspiração, ao invés do simples e singelo jogo jogado no toque de bola, nas táticas bem aplicadas, nos lances virtuosos. Cansou desta máxima de “fazermos coza”. Chega de rezar para virgens e santos de qualquer naipe para que saia um golzinho e a gente enfrente a fila mais leves.

Não, não quero torcer para o Barcelona, como dez dentre dez abobados apontam os dedos quando pedimos um pouquinho só mais de toque de bola. Eu quero sair de um estádio sem ter que botar culpa em árbitros omissos e fracassados quando meu time não rende.

Durante várias diretorias passadas pela Ressacada a desculpa que se ouve é que o clube não pode fazer aventuras, não pode gastar mais do que tem para fazer um bom time. Como se jogar com coitados limitados e tendo que manter alguns cones em campo não fosse uma aventura das mais cruéis. E, pior, se acaba gastando mais para repor jogadores que se contundem ou para acertar o ponto daquele jogador ruim que foi contratado para apenas ocupar um espaço.

Vencemos um jogo contra um fraquíssimo Joinville de forma dramática num campeonato de muitas nulidades. Devemos enfrentar um time na final, o qual toda a mídia nacional e toda a torcida mundial querem ver campeão. Aliás, se ninguém percebeu, o campeonato foi preparado para a Chapecoense ser campeã, não de maneira ilícita, claro, mas por uma boa bagagem de marketing. O enredo está sendo seguido a contento, parágrafo por parágrafo, e tendo o Avaí como belo coadjuvante.

Como ficou muito explícito nesta partida, o Avaí, hoje, tem apenas onze jogadores razoáveis. E só! Isso não me dá esperanças alguma, e sinto muito se alguém se ofende e acha que estou torcendo contra. Como disse, não quero um super-time do Avaí. mas não quero mais desculpas. Não quero mais lamentos por falta de dinheiro ou por sermos prejudicados pela mídia ou por árbitros fantoches e medíocres. Quero apenas não ter mais que sair do estádio mais cansado do que os jogadores, por torcer desbragadamente para quem já não tem mais forças para uma decisão. O Avaí, como instituição, precisa crescer e sair deste lugar-comum.

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