A necessidade da evolução

Uma das frases mais comuns usadas nesta biblioteca de frases de efeito existente no futebol é a tal “o time está evoluindo”. Ela descreve aquela situação de um time de futebol que, se antes era desarrumado e inconsistente, vai agora se tornando algo, pelo menos, apreciável. É aquele time que se vê com possibilidades de chegar a algum lugar, quando antes era um amontoado de nabas.

Acho que até já comentei algo assim por aqui, uma vez que é um assunto recorrente. Na minha ótica de biólogo, por exemplo, evolução não é melhoria, mas mudanças de características que levam alguma espécie de um processo A para B. Quando saímos da ciência e vamos para o senso comum (e o futebol é preenchido até o talo disso), admitimos que uma evolução é aquela bela gabaritada nos cornos de qualquer coisa, seja desde a faxina no estádio até quando o nosso querido e amado time ganha e dá espetáculo. Qualquer time.

E todo o entorno festeja, porque não se trata apenas do time para o qual torcemos.

Mas, e quando perde? Ou ainda, quando vemos cansaço e má vontade num grupo? No âmbito da competição, principalmente a do futebol, somos cruéis na derrota. Seja qual for. Isto é fato! Mente e posa de hipócrita quem pensa ao contrário. Mas uma derrota não é pura e simplesmente o resultado negativo no placar e a não marcação de pontos positivos. É o contrário da evolução, daquele upgrade tão festejado.

Agora, e por que a delicadeza em certas situações? Por que muitos ainda esperam e não conseguem se indignar?

Se ao falarmos de algo competitivo, e apenas observarmos derrotas ou uma tendência ao fracasso, a razão de se contemporizar demonstra ser a simples observação do jogo e nada mais. Não é pensado mais à frente, mas se adota a postura de inércia, do “não é bom falar pra não tumultuar”.

E, é importante lembrar, não estamos tratando de uma gincana de colégio, aquela que gera bons suores e cansaços na gurizada depois das disputas, que ao final vê-se cada um indo para casa, vencendo ou perdendo, e no dia seguinte o mundo continua sendo o mesmo. Estamos falando de algo que vai além do polígono retangular dentro de um estádio.

Um time fracassado ou em decadência leva até o vendedor de pastéis a pensar em outra atividade, porque aquela já lhe dá prejuízos. Uma comunidade inteira abraça outras causas e deixa o “esporte das multidões” na gaveta. Não é mais interessante.

Por esta razão, não incomodar-se com derrotas, com tendência ao fracasso, ou com a manutenção do projeto linear, aquele que se convencionou chamar de “sem aventuras”, é pensar pequeno. É não se atentar para o entorno, para a coletividade. E se vale o senso comum, é não evoluir e ficar fadado ao marasmo.

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