O merecido respeito

Um espectador que houvesse ido dormir cedo, nesta quarta-feira, e acordasse nesta manhã de quinta-feira e se deparasse com as notícias de que o Avaí passou o rodo na Chapecoense, pode ter imaginado que houve uma humilhação absurda e desnecessária contra o time do Oeste. Não, não foi. Foi, isto sim, uma das maiores demonstrações de respeito que se pode ter por um outro time, que é  jogar futebol, muito futebol, das mais irresistíveis e implacáveis maneiras de se jogar futebol.

Isto que o Avaí fez.

Foi daquelas noites absurdamente incríveis. Daquelas de se lembrar por muito tempo. Daquelas que nos enchem de orgulho. O Avaí venceu a Chapecoense pelo campeonato catarinense de forma imponente, surpreendente e avassaladora. E com muito respeito.

Começou com uma bela homenagem da torcida do Avaí à Chapecoense quando os jogadores adversários entraram em campo. Ao invés da vaia habitual dada pela torcida da casa quando um time visitante entra no gramado, houve alguns minutos de aplausos e manifestações de apoio ao time do Oeste. Ainda que poucos discordem, desnecessariamente, a Chapecoense assumiu um carisma como poucos no futebol mundial e merecia esta homenagem da nossa torcida, sim.

Foi bonita, envolvente e honesta, como eles merecem. Todo nosso respeito a eles.

E assim que se desenrolou o jogo, o Avaí mostrou anda mais todo o seu respeito à Chapecoense, marcando em cima, dividindo as jogadas e sendo eficiente no ataque. Botou, com todas as letras, o adversário na roda, sem piedade.

Um time com jogadas rápidas, arranques eficientes, viradas de bolas incisivas, com a defesa sólida e um ataque infernal.

Rômulo e Denilson não davam descanso para a defesa e o excelente lateral Capa destroçou a marcação como quis. Poucas vezes eu vi um time tão determinado e aguerrido na Ressacada como foi esse Avaí. E o melhor, era o meu time fazendo isso, para a nossa alegria.

Quando eu falo em respeito à Chapecoense foi exatamente isto que o Avaí fez: aplicou-se ao máximo para vencer o jogo. Marcou, defendeu e atacou com um determinação de dar inveja, mostrando que poderia estar decidindo o título ali, naquela partida.

Eu imagino que este jogo tenha sido um divisor de água para os dois times.

Para o Avaí, a consolidação de um início de temporada que dá esperanças à torcida.

E para a Chapecoense, a certeza de que a realidade é dura e difícil, e que precisa acordar para a vida, para a vida do futebol.

Porque o futebol é jogado dentro do campo.

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