O baile da Chapecoense

Estão muito curiosas as manifestações de torcedores de outros times em relação ao que a mídia faz com a Chapecoense. Na imensa maioria das palavras ditas, vemos situações semelhantes a do guri que vai ao baile, à boate, flerta como pode com a menina mais bonita da noite, troca olhares voluptuosos, mas aí, quando chega um garotão e a tira pra dançar, ele sai dizendo para todo mundo que a tal menina é feia de dar dó. Ou seja, cheira a despeito.

É claro e óbvio que torcedor comum, aquele das arquibancadas, torce para o seu time. Não estou dizendo uma novidade e nem poderia ser diferente. Dentre as classes de humanos que conhecemos, torcedor de futebol é aquele sujeito mais ferrenho a defender as suas individualidades. Esperar dele complacência e compreensão para outros times é perda de tempo.

Todavia, neste caso específico, há uma mistura indigesta das coisas.

A situação da Chapecoense é muito, mas muito diferente, de um simples caso de gente que tenha morrido numa situação comum. Amplie-se esta diferença na potência de dez, para se entender como isto transcende as causas comuns e triviais do futebol. Foi algo muito, mas muito grande.

Portanto, qualquer homenagem que se faça, qualquer reverência, qualquer sentimento que se tenha ainda é pouco diante daquela tragédia. O que ocorreu ali será lembrando para o resto das vidas de muita gente ao redor do planeta, inclusive.

E, evidentemente, as redes de mídia iriam explorar isto como bem devem. É disso que eles sobrevivem, de notícias momentâneas, de comoção e de garantias de que o público irá acompanhar. Gera algum dinheiro lá na frente. Há inserções de mercado para quem define estas ou aquelas matérias. Quem entende um pouco de comportamento de mídia sabe como isto funciona. Virou um produto a ser explorado.

Porém, vejo o torcedor comum se indispor contra isso, como se fosse aquele pênalti mal dado, ou um impedimento de definiria o campeonato.

Não, não é nada disso. Devemos gastar nossas energias contra a exploração abusiva e abusada da mídia.

O que ocorreu com a Chapecoense, repito, é algo para se explorar como um marketing do bem, se é que isto existe, para manter aquele clube em evidência e que suas despesas sejam sanadas. Nada mais que isso. É uma atitude que pode parecer bobinha num primeiro momento, mas que depois tem o seu devido valor. Sem exageros e sem pieguice.

E, para os devidos fins, que não se sofra daquele comportamento de buscar a menina mais bonita do baile, para depois execrá-la. Ela merece respeito.

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