Das frases grotescas do futebol

O futebol nunca foi assim um ambiente de formação intelectual, muito menos de caráter científico, vamos combinar. Não se faz análises com muito critério e há muito mais transpiração que inspiração. Está carregado de senso comum e possui jargões e frases de efeito, que servem de bengala, na maioria das vezes, para a inaptidão ou insuficiência de recursos.

Para sacramentar isso, o mundo do futebol tem diversas frases curiosas. Algumas são engraçadas, e outras parecem um autêntico sintoma do que nosso subconsciente percebe, mas não tem coragem de dizer.

Queres ver uma coisa?

A frase: “o time está evoluindo”. O que significa isso? Ora, isso quer dizer que não se jogou nada até agora, o time para o qual o alucinado torce é medíocre, é simplório, porém já se valoriza um passe certo que foi dado a poucos metros, coisa que deveria ser normal. Aquele “lançamento” longo, mais conhecido como bagão, onde um cabeça de bagre bota outro pra correr e a bola vai pela linha de fundo, para times bons é uma desgraça, mas para times ruins é a 8ª. maravilha do universo. E se ouve na torcida um “puxa, se ele pegasse”.

Ou então se exulta a jogada daquele zagueiro, que sempre falha, madeira de dar em doido, mas que numa jogada aleatória consegue pôr para escanteio uma bola que tinha o endereço certo do gol. E é aplaudido por torcedores e pelo banco. “Ele é jovem e merece mais uma chance”, aposta o treinador que tem a cabeça a prêmio por escalar um inepto. É assim que significa a tal “evolução” de times ruins em campeonatos: depende da sorte e de uma tal “raça”, pois na tal da qualidade deixa a desejar. Time que vive “evoluindo” apenas participa do campeonato.

Aliás, por falar em raça, essa é uma característica que, quando está em evidência, significa que o time para o qual se torce é uma bomba. Aí, carrinho é comemorado como um gol em final de Copa do Mundo. Jogador que sai com o calção manchado do verde da grama é craque madrilenho. E aquele que é expulso partida sim, outra também, merece placa no estádio. Portanto, se você, torcedor, começar a pedir raça para o seu time é sinal que ele é ruim de dar dó.

Uma outra frase interessante é: “vamos continuar trabalhando”. Isto representa o seguinte: o time não está jogando nada, perdeu feio e ninguém sabe mais o que fazer. É a frase mais comum dita para mascarar incompetência ou para dar desculpa esfarrapada. Em outras oportunidades, trata-se de um time que não sabe o peso da bola, mas conhece as marcas de cervejas mais famosas da cidade. Normalmente, o treinador gastou a quantidade de besteiras que tinha, alguns jogadores fizeram corpo mole e ninguém já está nem aí para as coisas, para melhorar.

Ora, qualquer infeliz sabe que atletas de ponta, como são os jogadores de futebol, só conseguem vitórias com treinamento. Muito treinamento. Horas e horas exaustivas de treinamento. Se estão sendo derrotados consecutivamente ou o time não rende, além de serem um monte de perebas, é sinal de falta de treinamento e noites de esbórnia. Simples.

Há uma frase maravilhosa: “jogar com regulamento embaixo do braço”. Essa é aquela proferida por dez entre dez treinadores covardes. Um time de futebol joga para ganhar, para vencer campeonatos, e para ganhar dinheiro e se auto custear. O resto é balela. Uma desculpa esfarrapada para quem administra mediocridade. “Ah, esse campeonato é difícil, vamos jogar pelo regulamento”. Conversa! Todo desafio na vida se torna difícil para quem não tem capacidade, conhecimento ou habilidade para enfrentá-lo. Ou é um medroso que molha as calças à primeira cara feia ou um completo mazanza.

Mas a frase mais fabulosa, verdadeiramente lapidar é “empate é um bom resultado”. Esta é a máxima desculpa para incompetentes, medrosos e cagões. Vitória, empate e derrota são consequências de um jogo e das circunstâncias, mas os objetivos de qualquer jogo são as vitórias. É óbvio. Treinadores de futebol que não sabem mais o que fazer com um time perdedor, ou que são ruins mesmo de dar dó, verdadeiras mulas sentadas no banco de reservas, vivem com o time recuado, cheio de zagueiros e cabeças de área, acovardados e consultam o relógio a toda hora, com medo de tomar um gol nos minutos finais. E jogadores que pensam assim não veem a hora de tomar aquela gelada, porque de futebol não sabem nada. Todos eles têm medo, muito medo. Empate, para eles, é goleada.

Qualquer semelhança com a nossa realidade não é coincidência.

 

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