O lugar onde a bola é punida

E, de repente, surgiu na escalação do Tite um ex-jogador do Avaí.

Sim, o Camilo, aquele meia que já foi jogador do Leão da Ilha, apareceu na escalação da seleção brasileira.

Honestamente, eu acho isso legal. É bom ver um jogador conhecido, o qual a gente sabe das manhas, jogar com a camisa mais vezes campeã do planeta.

Todavia, ainda ouço alguns entendidos mencionarem que ele é um pereba. Sim, a gente que frequenta arquibancada sabe bem do que eu falo. O sujeito se gruda na grade (ou na “cerca” de vidro) e xinga e ofende o jogador e toda a geração que o precedeu. “Não pode envergar o nosso manto sagrado” e por aí vai.

Sabe aquele tipo de torcedor que vaia uma bola perdida? Aquela bola que era para o sujeito dominar e ela sai pela lateral?

Aí o jogador fica marcado para aquela partida e para todas as outras que virão. E o emocional pesa nas pernas. Experimente, você, ser ofendido e xingado em seu local de trabalho, todos os dias.

E então este jogador não consegue mais dominar uma bola, mesmo com as mãos. Não constrói mais uma jogada, não passa, não lança, sequer sabe chutar a gol. Vira reserva, fica amuado e vai embora. Semanas depois surge num outro clube, qualquer clube, e dá espetáculo.

Tem sido assim com alguns jogadores que passam, ou passaram, pelo Avaí. Posso fazer uma lista de nomes que não caberia aqui no meu HD.

A alegação para esta “perseguição” é a de que eles vêm a mando de seus empresários, que estes jogadores estão aqui apenas para esquentar contrato, que vão tirar o pé mesmo, pois o Avaí é apenas um clube de passagem, e blábláblá, ou que é para não ficarem parados. Ao envergarem o manto azul, esquecem tudo o que os trouxe até aqui e acabam não desenvolvendo o futebol que os consagrou lá fora.

Aliás, vejo isso também no rival doladelá das pontes, mas dos jogadores deles não vou comentar, é óbvio.

Para se chegar a esta conclusão estapafúrdia, supõe-se que um lado emocional não tenha sido resolvido com estes atletas. Pode ser a cidade, feia de dar dó. O gramado da Ressacada, por sua vez, tem sido castigado e isto pode colaborar para que esqueçam o futebol.

É possível que alguns não gostem da cor azul, vai saber. Ou nem o canto da torcida. O cara chega aqui, num mundo estranho, mal acostumado com o hedonismo marcante em nossa cidade e acaba ficando tímido.

Dessa forma, tem que ser vaiado mesmo, alegam os que por pagarem ingressos defendem estes direitos.

E aí, imagina o Tite, um treinador fraco, sem conquistas na vida, em começo de carreira, convocar um jogador ruim desses? Ou um jogador que esquenta contrato? Que está aí “só de passagem”?

De uma coisa eu tenho certeza: torcedores do Avaí, e até do nosso rival, são os mais entendidos de futebol no mundo. Aqui se pune a bola e os jogadores como bem se entender, porque somos os melhores.

Não é bacana isso?

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