A saída dos que não entraram

Está para cair da boca, igual a dente cariado, a administração Nilton Machado do Avaí. Até este momento, dá-se conta que é questão de tempo. Hoje, amanhã, daqui a pouco, mas não demora muito. Encerra-se, assim, de forma melancólica, numa crise sem precedentes na história do clube do Sul da Ilha, uma administração que poderia dar seguimento aos bons momentos vividos no tempo do Zunino, e não o fez.

Sabe-se que muita gente está festejando isso. Há vários oportunistas fazendo festas em decorrência deste momento, muitos deles os derrotados da última eleição. Aliás, no Brasil, ao que parece, perder uma eleição reflete um ódio mordaz e murrinha para quem vence. Como se o respeito à democracia fosse igual a cerveja que acaba no copo. Volta lá e enche de novo!

Confesso que não lamento a saída no Nilton. Uma administração ineficiente e ineficaz não teria como terminar de outra forma. O que lamento é termos chegado a isso. É encerramos uma administração que nunca sentou na cadeira que lhe era devida. Torna-se terrível ter que comemorar a saída do que não deu certo, ao invés de se exultar as conquistas do que poderiam ter havido. É o nosso Avaí, com todas as glórias e tradições, ter chegado a esse ponto, com total falta de respeito vindo de todos os lados, se ninguém sabe. Eu não festejo isso.

Muitos apontam como os resultados em campo as razões para o encerramento das atividades do Nilton. Até ajuda, mas não é apenas isso. As derrotas em jogo são das coisas do futebol. Não foram estas as razões principais, portanto, para que tudo acabasse assim. Foram as derrotas morais, contudo, a falta de brio, garra, denodo e empenho de seus dirigentes. Não vestiram a camisa, como muitos querem que os jogadores façam. e os jogadores acabaram se tornando o reflexo disso tudo.

Foi a permissividade das topadas administrativas, uma atrás da outra, sem descanso, e deixando a nação avaiana de cabeça baixa. Envergonhando nossas tradições. Enlameando nossa existência. E como avaiano de carteirinha lamento profundamente tudo o que está acontecendo. Não vou na onda “dos males o menor”.

De minha parte, não faço coro com quem acha que haverá mudanças após esta saída. Lamento informar, mas será trocado seis por meia dúzia. Não haverá mudanças significativas! Pode haver um gás aqui, outro ali, mas no geral ficará igual. Há coisas mais profundas que precisam ser mexidas no clube e não serão as trocas por nomes que se resolverá. A ruptura necessária não vai ocorrer.

A formatação administrativa é que está equivocada, pois estamos a depender de um mecenas, de alguém que tenha o cofre aberto, para voltar a financiar o clube, uma vez que os investidores externos correram daqui como o diabo da água benta. Curioso era que o Zunino fazia isso, virou o patrocinador máster por muitos anos, e todos estes sabichões que o execravam agora acham que pode dar certo assim.

Mas esperamos, ainda assim, um alento. Que os horizontes do maior de Santa Catarina se abram. E que voltemos a nos orgulhar do futebol ganhado no campo, como sempre foi nossa tradição.

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