A pelada da base

O time do Avaí saiu de casa neste domingo à tarde, alugou duas Kombis, encheu de jogadores e foram jogar uma peladinha lá em Jaraguá do Sul. Sim, fez igual ao que nós, peladeiros de fim de semana, fazemos: reunimos a turma e vamos bater uma bolinha num canto qualquer. Apenas para passar o domingo. Sem compromisso, sem esforço, sem consideração com o nome da turma. Apenas para se divertir. Só faltou a carninha e a loira gelada no fim da partida. Eu acho que faltou.

Porque só assim para a gente, que tanto elogiou este time, composto em sua maioria por rapazes recém saídos de uma base forte, avaliar esta traulitada ocorrida nesta tarde de domingo contra o Metropolitano. Antes, preciso dizer, imensas vezes, que não faço coro com os oportunistas e malucos que, a cada rodada de avanços se escondem e a cada desastre pedem a cabeça de jogador, execram os uniformes, querem mandar o treinador embora, querem fechar a Ressacada e escrever em caixa alta nas redes sociais. Talvez para parecer mais macho que os outros e viver fazendo justiça com as próprias mãos.

Não, não sigo estes e me afasto dessa insanidade sem remorso algum. Mas é preciso, sim, dar alguns puxões de orelha em muito neguinho bom.

Todo mundo sabia, de cabo a rabo, do topete ao dedão do pé, que este ano seria terrível para o Avaí. Não havia qualquer possibilidade de sucesso. Todos dizíamos e já íamos contar com as bordas do poço. Ocorre que, para surpresa até dos adversários, o time de rapazes sub-23 jogou bola. Encheu os olhos. Mostrou futebol e não enganou ninguém como, oportunisticamente, já se atesta por aí. Houve algo bom ali, sim, e que nos deu muito orgulho.

Todavia, para que um trabalho numa competição tenha êxito e sucesso, mesmo que não se almeje título, é preciso haver continuidade. Mesmo que se considere que é necessário haver apostas e se testar alguns novos nomes. Entretanto, a experiência nos diz que deve haver parcimônia e bom senso. O êxito requer, junto com as ousadias, responsabilidade e concentração. E levar as coisas a sério.

Como se queria, o grupo ousou, sim, mas de forma atabalhoada. A irresponsabilidade do bom treinador Raul Cabral, de desmontar o meio de campo, decretou um desastre fatal neste jogo. A falta de cobertura e de jogadas pelo meio só não foi pior (e perder de quatro já não é nenhum refresco), porque o Metropolitano não é lá essas coisas. Tomamos 3 a 0 num primeiro tempo horrível, fora o baile. Poderia ser um tragédia oceânica. Poderíamos ser humilhados pela tansice do treinador, que resolveu abusar da sorte. Sobrou soberba e faltou tranquilidade, talvez até um pouco de malandragem. Depois, culpar a gurizada pelo mau desempenho é molinho, molinho.

Creio que é o momento de analisar e ajustar as coisas. Pensar que agora não somos mais a surpresa. Que a segunda colocação conquistada na raça avaiana no primeiro turno precisa voltar em forma de dignidade. Não exigimos nem o título, mas que se saiba da importância de um time do Avaí em campo. Ao menos sujem os calções. Dirão alguns que a culpa é apenas da diretoria e blábláblá. Sim, eu sei. Mas quem põe o pé na bola, mesmo que erre, é o jogador. E o treinador, de fora, está ali para observar os problemas e corrigi-los a tempo. Se não consegue, saia e dê lugar para outro, porque a bola pune os lesos.

Até porque, se for para jogar peladinha de domingo à tarde, pelo menos convidem a gente, que levamos calção, meião e camiseta. E ajudamos a assar a carne. Assistir isso aí de fora, sem poder participar, é que é terrível.

Portanto, levantem a cabeça e bola pra frente, porque a coisa só está começando.

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