Os sinais indigestos do torcedor

Alguém já se questionou por que motivo nós, torcedores de futebol, suamos frio diante de jogos importantes? Por que sentimos medo? Ah, não me diga que tu aí nunca sentisse um friozinho na nuca, um movimento incontinente na barriga quando teu time vai enfrentar um adversário perigoso? O machão de arquibancada dirá que nunca, jamais se preocupou com os adversários. Mas, lá no fundo, no fundinho mesmo, ele respira tenso.

E diante de um rival encardido? Sabe, por curiosidade, qual a razão de festejarmos um clássico? E nos preocuparmos?

Isso é humano e é perfeitamente natural sentir tal coisa. E é um sentimento que todos temos, a vaidade.

O que nos ensinam, as práticas diárias, é que somos vaidosos.

Sim, gostamos de aparecer, de nos sentirmos vistos, observados, paparicados e comentados. Temos o desejo de atrair a admiração dos outros.

E nada melhor quando ela aparece diante de um contrário. Queremos fazer bonito. Queremos mostrar nossa força, nossa capacidade. Vamos correndo aos jornais ou ligamos as rádios para ouvir o que comentam sobre a gente. No dia seguinte, a TV fica ligada horas a fio para observarmos o que se passou naquele jogo. Mesmo desdenhando, com razão, da mídia.

Pois é, isso tudo é fruto da vaidade, se não sabias.

A vaidade seria a explicação para a atitude de um torcedor se frustrar e se envergonhar quando o time passa por uma fase ruim. Não é apenas por causa da paixão. É natural o torcedor sempre desejar o melhor, sempre querer ganhar, sempre estar à frente disputando títulos e comemorando conquistas. E o faz exultar, até debochar da vida, quando as coisas vão bem. Porque isso lhe faz bem ao ego.

O problema é quando não se entende que a fase ruim faz parte do mesmo grupo emocional das fases boas. E se costuma ampliar as ruins porque elas machucam o ego, mexem com a nossa vaidade.

Rapidamente, surgem as conversas de botequim de que os problemas nunca acabam e as teorias de conspiração simplórias pulam de boca em boca montando um clima negativo. E a vaidade toma ares de soberba, sua pior face, municiada por quem costuma apostar no pior pra fazer valer suas teses frouxas.

Eu vejo que o ano de 2016 para o Avaí será péssimo. Daqueles para amargar decepções. A vontade de largar tudo é enorme. Todavia, eu percebo que o medo de fazer feio não pode alimentar a ansiedade de que tudo se resolva aos atropelos.

Um passo atrás é a esperança de dois à frente. Terá que ser assim.

Afinal, isso é apenas futebol.

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