A insanidade que se torna loucura

A primeira vez que fui a um estádio foi quando do clássico entre Avaí e Figueirense, no Scarpelli, o que deu o título de 1975 ao Leão da Ilha. E desde então, naqueles tempos de guri, quando assistia aos jogos do Avaí no Adolfo Konder, tentava entender a razão das imprecações do torcedor, eu incluído.

Ao longo do tempo, já velho e careca, continuo indo aos jogos e ora me divertindo, ora abestalhado com este comportamento da espécie humana dedicado a torcer por um time de futebol.

Um sujeito perde a compostura e quase sobe num alambrado para atacar um bandeirinha, quando ele erra. Um outro reclama do treinador, ofendendo a ele e à sua família, ao fazer uma substituição errada. Um lá na frente quase tem um AVC quando o jogador erra um gol feito. Visto de longe, e sem fazer parte destas tribos, quase ninguém entende. É algo o qual já foi estudado, mas jamais se tirou conclusões plausíveis.

Torcer para time de futebol está no limite entre a insanidade e o delírio, mas que dá um prazer imenso e uma preocupação absoluta. Jamais será compreendido mesmo. São coisas que não se faz no cotidiano e pertencem aos domínios da mente.

Ainda assim, não acredito que, mesmo filtrado pelo tempo, não se perca o encanto de frequentar um estádio e torcer apaixonadamente pelas cores que se acostumou a gostar. E todas as pessoas lúcidas e bem equilibradas sabem que aquilo é apenas uma diversão. Deve ser uma brincadeira. É, inegavelmente, algo lúdico a nos tirar da insalubridade dos dias amargos da vida comum e nos fazer sonhar.

Até que nos deparamos com sandices.

Sim, há os desprovidos de raciocínio e que acabam transformando a vida numa arquibancada. Os que reclamam das cores das camisas, das costuras, do tamanho do gramado, das cadeiras nas arquibancadas, da porta que não abre, da porta que não fecha, do camarote cheio, do camarote vazio, e tudo isso fora do estádio. Bem longe dele.

Há que se fazer, contudo, uma diferenciação entre a reclamação pura e simples da imprecação abusada e incontinente. Aquela que leva, inclusive, às vias de fato.

Como o que fizeram alguns torcedores a levar aos órgãos de proteção ao consumidor um processo contra o clube, devido o time ter tido que jogar fora da cidade as partidas em que é mandante. Pode-se tirar duas conclusões: o sujeito ou é ignorante ou tem interesses.

É ignorante, no sentido de ignorar, de desconhecer que a Ressacada não oferece, ainda, as mínimas condições de se disputar uma partida. Se andar em cima do gramado já é complicado, imagine um jogo de noventa minutos. Obviamente, o cabra que fez esta reclamação não sabe disso. Convém se informar.

Mas há o interessado. Sim, temos pessoas na sociedade, em todos os lugares, diga-se, que possuem interesses nebulosos e suas demandas vão ao encontro disso. Num clube de futebol isso acontece com mais intensidade que chuva em dias de tempestade. São os que são mandados por alguém que fica nas sombras, e que só aparece nos momentos difíceis. Estão ali por pura sacanagem mesmo e não pelo bem do clube. Querem o pior para dar razão às suas manifestações. Apostam que tudo pode dar errado, se as suas reclamações não forem atendidas. É gente ordinária, mesquinha e egoísta. Posam de lúcidos, mas são loucos, alucinados varridos e que precisam de tratamento. Apenas isso.

Não temos necessidade deste tipo de gente num clube. Estes não nos ajudam.

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