Que o Leão volte a urrar

Os torcedores avaianos, aqueles que ainda se importam com o time e o clube, uma vez que a maioria já abandonou naturalmente o barco, ainda têm alguma força na peruca e tentam entender o que foi isso que vimos nestes últimos três anos. Ou não vimos. E tem torcedor alvinegro me perguntando cadê a gente, cadê o rival que os incomodava e era implacável contra eles. É óbvio que reside aí uma pontinha de gozação comum e inquestionável, mas no fundo eles têm razão: o Avaí, aquele que fazia cozas e era o Leão da Ilha, o time da raça, está manso e miando feito gatinho de madame.

Fazemos o famoso rescaldo, aquele trabalho efetuado pelos bombeiros para evitar que se inflamem de novo os restos de um incêndio recente, mas é inegável que a montagem do time para o próximo ano será dura, cruel e inglória. Só para se ter uma ideia, a expectativa de se terminar ao menos entre os quatro grandes do catarinense e sem disputar rebaixamento no estadual já é comemorada como prêmio acumulado da mega-sena. E é prenúncio declarado antes mesmo de se começar o campeonato.

O time do Avaí da atual temporada jogou muitas partidas e perdeu diversas. Mas não perdeu pura e simplesmente. Ele não apresentou nenhum sinal de que podia nos dar esperanças não só para os campeonatos jogados agora, mas para os futuros durante muito tempo. Mas, muitos daqueles jogadores já foram embora e o que sobrou nem dá pra fazer um solteiro contra casados depois do churrasco de sábado. O horizonte é sombrio e os prognósticos são os piores possíveis.

Há quem pense que botar um ex-jogador como “montador de grupo” seja o suficiente para alavancarmos um lugar ao sol. Pelo menos sair da sombrinha. Conversa! Isso é amadorismo puro. Quero me enganar redondamente e queimar minha língua no mármore do inferno, mas lá por junho ou julho vamos correr atrás de um gerente de futebol. Ou, ao menos, de um auxiliar para Eduardo Costa, de maneira a fazer o papel que ele não conseguirá fazer. Como eu quero estar enganado. Como eu desejo que os onanistas de internet venham com suas replicagens de minhas postagens a me cobrar essa afirmação. Todavia, ressalto, a roda já foi inventada há milhares de anos.

Mas, agora, vemos discursos polidos, eruditos, gente bem alimentada e bem vestida se arvorando a solucionar todas as nossas mazelas, enquanto o gramado segue em estado precário e garantias de uma boa temporada dependem da inclusão dos guris da base para voltarmos a ser os donos do quintal.

E, paralelo a tudo isso, vamos ter que aguentar convocações de torcedores rebuscadas de lacrimejantes vídeos, exaltando uma história há muito perdida. Ah, sim, podem aguardar, teremos a solução dos ingressos sendo encaminhada, isso desde que não caiamos pelas tabelas e voltem os restos de feira para encher o estádio.

O horizonte que está sendo pintado para o Avaí, em 2016, é dos mais tenebrosos. As soluções para mudar o quadro, entretanto, devem ser sensatas, criativas e produtivas. Só assim para que uma virada se concretize.

Resta, então, aos que envergarem as nossas camisas daqui por diante, de diretores a jogadores, afirmarem se são homens honrados e dispostos a enfrentar os mais absurdos desafios, ou um bando de Zé Ruelas que veio passar as férias em Floripa.

Está na hora dos leões urrarem, porque de miados de gatinhos mansos já estamos fartos.

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