Tem mais uma pá de cal?

Se tem um clube de futebol, dos que conhecemos, que adora ser vidraça, este é o Avaí Futebol Clube. Pelo menos nos últimos tempos, a quantidade de topadas, marteladas nos dedos e agulhas espetadas nas mãos, algumas parecendo até propositais de tão tolas, tem derrubado qualquer capacidade lógica de raciocínio. Confesso que não encontro mais palavras para falar do Avaí, tamanho é o comportamento atabalhoado dos homens que o conduzem. Tento abrir meu blog para dizer algumas coisas, mas falta-me a fina flor do Lácio coerente para expor o que sinto. Sei que tem alguma coisa de desânimo aí no meio.

Não vou fazer inventário das toupeirices, é desnecessário, mas é inegável que o desabafo ridículo e extemporâneo da companheira do presidente há poucos dias, ultrapassou o desempenho de trapalhões nos circos mambembes que andam por aí. Uma pantomima. Uma ópera-bufa. Um teatro de marionetes e de ventríloquos. E revela, como um todo, a situação vexatória a qual estamos passando em todos os sentidos.

E então, após este fogo apagado, fomos surpreendidos com a notícia-bomba divulgada no final do dia, de que o treinador Gilson Kleina não conduzirá mais o time nesta fase final do brasileirão. Se parecia uma medida saudável, tida como “fato novo” por alguns, a decisão revela mais uma trapalhada, pois denuncia a saída já tardia do treinador, que não conseguiu dominar os bastidores, os famosos vestiários avaianos, que mandam mais que sindicato de motoristas e cobradores em Florianópolis. Ou seja, mais um em cujas costas foram lançadas as agruras da Ressacada, mais um que foi emparedado. Queres uma lista, leitor, dos últimos treinadores que sofreram isso? Reveja o desempenho dos times avaianos nas quatro últimas temporadas.

Dizem que é salário atrasado, condições do clima, excesso de contusões, qualidade do elenco, a enfermeira do DM que é um chuchuzinho, que o ônibus da Transol não passa mais nos Carianos. É tudo isso, mas eu prefiro dizer que erros sistêmicos dão conta de má gestão.

Lembro que fiz campanha para que o atual presidente fosse eleito. E não me envergonho disso, uma vez que tenho a consciência tranquila para tomar as decisões que desejar, porque tenho interesses pelo clube, pela instituição e não por projetos pessoais e/ou carregado de egos.

Tenho plena liberdade, também, de dizer que o presidente Nilton me decepcionou neste período à frente do clube. Uma decepção avassaladora. Mostra-se, como presidente do clube, alguém muito distante de sua biografia. Suas ações são patéticas e os contornos são risíveis. Ele é inapto para o cargo. E não tem nada a ver com a tal continuidade, herança maldita ou as dívidas deixadas pela gestão anterior, coisas frequentes na boca de alguns abobados pra desviar o foco. É competência mesmo. Aquela cadeira não é o seu lugar, é bom que se diga. Ele não está confortável ali. Imaginava que, após a valorosa gestão Zunino, que deu uma estrutura de clube à Ressacada, mesmo que se faça um levantamento de todos os seus erros, e que não foram poucos, alguém pegasse dali e conduzisse os acertos e resolvesse as coisas erradas. Era só levar na ponta dos dedos e fazer melhor. Mas o presidente Nilton conseguiu piorar o que já estava complicado.

Não foi o destino, como alega a excelentíssima mandatária do clube (sim, parece-nos, pela sua fala, que é ela quem manda e não ele!), mas acertos políticos como convém a adultos responsáveis. Alguns Zé Manés, naquele período, entretanto, uns trôpegos que se diziam oposição, fizeram um estardalhaço alegando que se manipulavam as eleições, mas não revelam, agora e ainda, por serem covardes e terem interesses mesquinhos, que semanas antes compactuavam com o atual presidente caso pudessem elegê-lo como responsável pela cadeira do executivo do clube. Também não dizem que, mesmo alegando que as eleições estavam “contaminadas”, faziam campanha às portas das urnas, aceitando passivamente o processo eleitoral. Sequer se mexeram para impedir que a eleição ocorresse, registrando que são frouxos e lenientes. E agora chovem no molhado e lamentam o leite com pera que escorre de suas bocas moles.

A Ressacada, ainda que esteja bem pintadinha e embelezada, parece-nos em frangalhos. O executivo não é atuante. Os membros do Conselho Deliberativo molham as calças de medo antes de tomarem qualquer decisão. O Departamento de Futebol vive escondido e sem voz ativa, dando mostras de que foi extinto e não nos avisaram. Os jogadores malcriados fazem convescotes em restaurantes expondo nossas mazelas. O treinador borra as calças diante de um ou dois figurões. E nós, torcedores, a última esperança de tentar levantar alguma dignidade deste clube, sequer sabemos mais como torcer ou para quem torcer. Disse alguma mentira até agora?

Chegamos à Série A do campeonato mais cascudo do planeta de forma enviesada. E estamos fazendo uma força medonha para sair dela de maneira simplória e atabalhoada. Quase todos os setores do clube remam contra. Poucos escapam. Cada um com sua realidade e cada qual com suas verdades. Quando o Avaí Futebol Clube começar a pensar coletivamente, com todos os avaianos remando para um lado só, para o lado do clube, pode ser até que estejamos numa série Z, mas será a hora de fazermos jus ao campeonato, seja qual for, que disputarmos. Hoje, o único título pelo qual lutamos é o da chacota da última semana. Por favor, eu não quero mais isso. Nós, torcedores, não merecemos mais.

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