Matem o mensageiro

A declaração do atacante André Lima no último jogo, afirmando que o (ex) gramado da Ressacada parece um pasto, acendeu uma polêmica bem maior do que o problema em si. A vertente politicamente correta em meio a torcedores e críticos, atestando que qualquer coisa que se diga fere ouvidos virginais, atropelou os verbos, acendeu substantivos e liberou adjetivos contra o jogador. Mas, e o pasto?

Tem uma velha história de um rei em guerra contra seu vizinho, que recebia constantes notícias ruins de que seu exército estava sendo dizimado. E não podendo mais com aquilo resolveu agir de forma decisiva: mandou matar o mensageiro. Dessa forma, não receberia mais notícias ruins. É isso que estão fazendo com o André Lima.

Quem acha que nosso outrora “melhor gramado do Brasil” deve continuar a provocar escorregões, prejudicar jogadas, ser alvo de críticas ou gozações rivais levante a mão.

– Ah, mas o André Lima não poderia ter dito daquele jeito.

Eu acredito que o controle emocional é fruto de aprendizado, experiência e sabedoria. E com alguma influência externa. Mas, assim como uma banheira enche quando deixamos uma torneira aberta, o saco também. O constante descuido com o nosso gramado transbordou a paciência de nossos jogadores e um dos mais experientes, aquele que é rodado e tarimbado, jogador cascudo e guerreiro, conhecedor dos atalhos dos campos por aí, teve a coragem e nobreza de dizer que não gosta e quer providências.

O que será que não é conversado nos vestiários para se chegar a declarar algo assim?

É fácil falar de fora quando não se vive o dia a dia. Quando as condições de trabalho são ruins e se quer que o trabalhador tenha produtividade. Dê um martelo sem cabo a um marceneiro e o mande instalar uma porta, e que esteja perfeitamente colocada. Mande um pescador com uma rede toda esburacada pescar o almoço do dia. E depois espere a bronca.

Para se chegar ao ponto do desabafo, é porque as coisas não andam bem internamente.

O Zunino, com erros e acertos em sua administração, deu uma cara de clube ao Avaí. Deu dinâmica e credibilidade. Ah, mas não houve problemas absurdos? Sim, claro que houve. A atual administração, portanto, que se identifica como uma continuidade, deveria pegar daí e aprimorar o que deu certo e ajustar os erros. Fazer avançar os processos. Atualizar aplicativos, como se diz na área de TI.

Todavia, preferem sentar nas benesses. Atacam quem os quer ajudar e arregaçam-se para quem os detratou. E as vaidades ocupam os corredores e o lugar do trabalho. Tem gente plantando bananeira pra ver o mundo ao contrário. Se estamos na área hortifrutigranjeira, poderiam pendurar uma melancia no pescoço para aparecer melhor, porque as agendas das redes de TV já estão lotadas.

Os arredores da Ressacada fervem.

Um jogador não pode apontar um problema no gramado, porque isso é intempestivo, mas se exige que ele jogue o fino da bola, que faça gols, que dê de letra e o time jogue como um Barcelona.

E você aí está incomodado com o que dizem sobre o pasto? O pasto nosso de cada dia.

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