O jogo jogado

Eu sempre disse que neste time do Avaí faltava entrosamento, não qualidade. Os chatos que adoram retuitar meus escritos pra tentar me sacanear deveriam publicar isso também, pois seriam mais honestos. E entrosamento entenda-se ter um time com esquema tático definido e assimilado pelo grupo, e jogadores que saibam como o companheiro joga. Contudo, ainda assim, mesmo que os onze joguem em praticamente todas as partidas, é preciso mais uma coisa: confiança.

A falta de confiança, por exemplo, delimita aquele momento do chute, quando o atacante, cara a cara com o goleiro, ao invés de meter na gaveta, manda a bola para a arquibancada. Ou, na defesa, quando o zagueiro que precisa dividir firme com o atacante adversário, se intimida e vai de pé murcho. Lembram alguma coisa estas situações?

Não faço coro com quem decreta que um time de futebol é ruim ou bom pelo pedigree dos jogadores ou pela conta bancária do clube. No futebol, o acaso manda bastante, mas a determinação e o compromisso de jogadores e comissão técnica rezam várias cartilhas. Por isso, os prognósticos de antemão e as previsões de botequim muitas vezes caem por terra quando os resultados vão acontecendo. O pessoal que aposta semanalmente na loteria esportiva, aquela da zebrinha, ou mesmo no famoso Cartola F. C., sabe bem do que estou falando.

Portanto, aquilo que descrevi acima no primeiro parágrafo é o que manda no futebol: esquema tático definido, determinação e confiança, que configuram o entrosamento da equipe. São estas as regras que fazem um time ser vencedor, seja o Íbis, a seleção da Samoa Oriental ou mesmo o Barcelona. Posso dar exemplos? Não precisa, a história é cheia deles.

– Ah, cara, mas os grandes do nosso futebol, como o Corinthians, já entram pra ser campeões.

Óbvio que isso é comentário de quem enxerga apenas as árvores e não a floresta.

Sim, um clube como o Corinthians tem tradição, tem postura, tem personalidade e essa identidade é repassada aos jogadores. Não é garantia de sucesso, mas ajuda. Claro que não se comentam aquelas ajudinhas famosas, mas o Corinthians jogando demonstra ser um time determinado a vencer. Pode-se dar, também, o exemplo do Cruzeiro, que mesmo sendo bicampeão e defendendo o título em 2015, capenga nas últimas posições. É só analisar o que aconteceu com os dois clubes para se entender a razão disso.

Partindo da premissa de que estas coisas funcionam no âmbito do futebol, a gente pode ver o desempenho do Avaí neste brasileirão.

Como é que um time arranjado para a competição e com jogadores sem muita identidade com a história do clube, montado com peças pontuais, sem orçamento madrilenho ou corintiano, muito pelo contrário, com boleiros de pouca grife ou desconhecidos, consegue se manter num campeonato cascudo e difícil e não está praticamente rebaixado como determinaram, lá atrás, as pitonisas e comentaristas de plantão?

Ora, por diversas vezes se dizia que faltava o detalhe para o Avaí vencer partidas. Nossos jogadores têm jogado com determinação e vontade. Eles têm que buscar, a cada jogo, aquela personalidade dos chamados grandes. Este time nunca foi de Série C, como apregoavam entendidos de ocasião. Tinha algo a ser explorado e precisava apenas jogar mais vezes junto. E o treinador avaiano, experiente e tarimbado, foi tendo que achar o ponto de equilíbrio para a equipe transformar boas partidas em bons resultados. Testou, testou, até achar o esquema adequado. Contou com manutenção de um time base e pode apostar na confiança que os jogadores foram adquirindo ao longo da competição. O saldo está aí. Podem ser casuais os resultados, mas o desempenho não é.

Então, baseado nesta análise podemos decretar que o Avaí está na Série A de 2016 e, quem sabe, pode almejar posições mais ambiciosas? Jamais. Para nenhum time, diga-se. O futebol não permite perus de véspera. Antes de ser uma prática esportiva é um jogo, onde o fator aleatório também influencia, ainda que haja raça, força, determinação e esquema definido.

O que importa é que estamos jogando o campeonato, dentro de todas as nossas possibilidades e tendo só uma certeza: garantia de fortes emoções até o final.

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