Uma vitória com L de Leão

Aos quarenta minutos do segundo tempo, na partida deste domingo na Ressacada, olhei para a torcida adversária, a do São Paulo, e vi os torcedores sentados, cabisbaixos, um olhando para outro incrédulos, muitos descontentes e a maioria atônita. E aí compreendi a importância de nossa vitória e a dimensão do que havia ocorrido.

O São Paulo que nos enfrentou não era aquele de jogadores top de linha, com salários vultuosos e orçamento astronômico. Era um time de Joões, Josés e Manuels. Um time comum de bons jogadores. Mas era o São Paulo, clube acostumado a grandes conquistas e bicho-papão em qualquer campeonato. Uma marca a ser respeitada e de uma tradição invejada. Por isso, o valor dado a estes três pontos. E de seis tiramos quatro deles neste ano. Tu acreditas nisso?

Sou um romântico, da época do futebol de Pelé. Do time de Tele Santana na Copa de 1982. Do Flamengo de Zico e companhia. Do carrossel da seleção da Holanda. Do próprio São Paulo de Raí, Muller e Careca. Do Corinthians do Dr. Sócrates, Zenon e Casagrande. Dos times mágicos ao longo do tempo.

Sou um amante, sim, do futebol bem jogado.

Lembro daqueles times memoráveis do Avaí, o do título de 1975, com Zenon, Balduino e Juti ganhando o título em pleno estádio do nosso rival, onde eu frequentei pela primeira vez um estádio.

Daquele timaço de 1988, do maestro Adilson Heleno.

Da campanha do acesso de 2008, com um dos melhores times de nossa história encantando a todos e que só não foi campeão estadual por detalhes, para azar do próprio campeonato. E que repetiu a dose fazendo uma campanha memorável em 2009.

Todos times que jogavam futebol e, para minha alegria, representando o meu Avaí.

Pois a minha empolgação por este jogo jogado contra o São Paulo faz-se exatamente por isso, por ter visto um time de futebol jogar bola. Como time grande. Como fazem ou já fizeram os diversos times pelo mundo afora e que ficaram gravados na memória dos torcedores. E também pela situação que atravessamos e dificuldades que se acumularam ao longo deste ano.

Embora tenhamos tropeçado aqui ou ali, o que nos levou a quase desistir, sabíamos do potencial. Eu mesmo dizia que ainda acreditava e que bastava o time do Avaí também acreditar.

O Avaí destes últimos jogos tem outra cara. Tem uma postura diferente, muito distante daquele amontoado que (mal) acostumamos a ver. Fazia um joguinho bom dia sim, dia não, precisava de detalhes para vencer, mas jogava na empolgação.

Este que vimos nesta semana tem um sentimento de time de futebol. Embora haja ainda muita coisa a acontecer daqui por diante, muitos pontos a conquistar e muita batalha a ser travada, já é possível perceber que, sim, o Avaí pode ficar na série A. O Avaí tem um time para se manter, ainda que seja o mais simples e humilde dos vinte participantes. E é aí que reside o sabor açucarado de nossas conquistas.

E se, ao final do ano, não nos mantivermos na série A (bate na madeira aí, ô, ixtepô!), por sortes e detalhes inerentes ao futebol, que ao menos se jogue assim, com um autêntico e verdadeiro jeito de jogar bola. Com raça, força, magia e dignidade. Envaidecendo o sonho do senhor Amadeu Horn há 92 anos. É o que nos basta como avaianos.

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