O melhor dos mundos

A receita para ser torcedor de futebol não é, por muitas vezes, adotar uma postura complacente e aceitar de tudo. Não, isto tem outro nome.

Por pior que esteja a situação, o torcedor deseja que haja sempre a esperança de que as coisas melhorem e um otimismo arraigado se expressa. O autêntico torcedor é aquele que acredita sempre e se empolga cada vez mais. Olha para frente. Isto não é fórmula de sucesso, é apenas para que a relação com o clube e seu time se mantenham em níveis racionais, mesmo sob forte emoção.

Há quem torça o nariz para isso, usando a famosa frase “estás tapando o sol com a peneira”, como se apenas ele, o sujeito que abre as janelas para o sol, estivesse com a razão. Muitas vezes, esse desalmado acha que ser otimista é ofensa.

É verdade que, na medida em que as coisas vão dando errado vamos desanimando. Ainda mais quando sabemos que os problemas internos, os administrativos, aqueles temperados com boa dose de vaidade e egos inflados, como de alguns dirigentes, são piores do que os aparentes. A vontade de desistir é enorme, um sentimento de abandono nos atinge. Somos humanos e não gostamos de sofrer. Mas aí a gente lembra que ainda somos torcedores, uma categoria de humanos diferenciada e bipolar, que adora se divertir, e o velho otimismo nos ataca novamente.

Ser otimista não é desconsiderar que haja problemas, muitas vezes sérios e intratáveis. Ser otimista é superar a angustia e conseguir ver luz na sombra.

O torcedor avaiano, por sua vez, tem sido um otimista por excelência, principalmente nestes últimos anos. Quem, com a saúde mental em dia, iria a um estádio para tomar traulitada dos metropolitanos da vida ou fazer campanha contra rebaixamento, todo ano, toda semana, todo dia, durante vários anos? E sem dinheiro ou qualquer expectativa de que as coisas melhores em tempo curto? Só mesmo um avaiano.

Ao vencermos o clássico não deixamos de perceber que o atual time do Avaí é apenas esforçado. Que tem seus valores, mas não nos dá segurança para uma torcida efusiva. Sabemos ser um time que não impõe medo ou respeito aos adversários e que joga no limite de sua capacidade. A quantidade de gente no DM reflete isso.

Na grande maioria das partidas a que assistimos neste ano, os adversários foram ousados e indecentes conosco, exatamente porque não nos impomos, embora tenhamos feito partidas memoráveis. E talvez resida aí o otimismo que começa a crescer no meio da torcida avaiana, ou seja, a possibilidade de ver o time do Avaí, mesmo diante das mais absurdas dificuldades, ousar e se impor na reta final. Naquele momento quando mais precisa jogar.

Não foi o resultado em si a razão de nossa retomada de esperança. Claro que ajudou e, pelas ruas, vamos alegres e sorridentes. Mandar o rival para a zona de rebaixamento, ganhando na casa deles, demitindo um técnico top de linha e estabelecendo uma crise pontual é o sonho de consumo de qualquer torcedor no mundo. Mas, uma coisa se fez diferente, após oito meses neste ano: a postura em campo contra o time doladelá. Foi algo ainda não visto.

Embora a velha recomendação de “pés no chão” se faça necessária, também no futebol quem não arrisca, não leva. No futebol é preciso sair da mesmice, uma vez que tende-se ao conformismo. É muito fácil um time de futebol se acomodar. Isso é fisiológico, mesmo que alguns (des) entendidos achem que é pura emoção.

Por isso, um time que lute constantemente para sair de uma zona de perigo, como é o caso do Avaí, certas vezes encontra mais ânimo e disposição do que aqueles que vivem numa classificação intermediária da tabela. E é por esse motivo simplório que a garra e a luta podem aflorar, aliados ao otimismo que começa a crescer na torcida.

E como um bom otimista que sempre fui espero ver um time vigoroso e bravo daqui pra frente. De agora em diante, até dezembro, sobrarão apenas os fortes, os que têm nervos de aço, os destemidos. Os otimistas. Os outros já jogaram a toalha e vão passar a assistir às novelas.

Ah, aquela parte da mídia local também não acredita que possamos ganhar do São Paulo? Bom, aquela parte da mídia local é mesquinha, ridícula, tem parcialidade, defende outras culturas e já rebaixou o Avaí. Portanto, estão fora do meu caderninho. Eu vou pra Ressacada. Até o fim.

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