Os prenúncios fatais

Quando uma equipe tem bruscas alterações durante um projeto, os resultados são a derrota e o fracasso. Isso em qualquer lugar que se imagine. No seu ambiente de trabalho, na sua escola, na sua comunidade e até na sua casa é assim.

E num time de futebol não poderia ser diferente, uma vez que técnica e habilidade são insuficientes quando não se possui entrosamento. E, ainda assim, mesmo que haja entrosamento, técnica e habilidade, os resultados são duvidosos, não há garantia de sucesso, haja vista que estamos falando de um esporte com muitas alternativas e com o acaso e diversas variáveis comandando o desempenho como um todo.

Discordando do senso comum, o futebol não é tão simples de se entender. O exemplo das bruscas alterações cabem muito bem neste time do Avaí. Caberiam, aliás, porque, ainda assim, vimos um bom futebol jogado tanto na Ressacada como fora dela, o que corrobora a impressão de que estamos falando de algo fora dos prognósticos.

No entanto, ainda que os jogos de dados, com todas as suas probabilidades, tenham existido nos domínios avaianos, fazendo-nos acreditar ser possível tornar realidade um sonho, as estatísticas, a tábua fria das considerações matemáticas para o desempenho de um projeto nos mostra um campeonato pífio e apagado de nosso time. Quem assistiu aos jogos, discorda dos números, mas quem apenas olha para a tabela de classificação e observa a performance, concorda que com números não se briga.

O campeonato brasileiro está entrando naquela fase de definições. Nos encaminhamos para a acomodação das melancias no caminhão. Ainda há lampejos de reviravoltas aqui e ali; todavia, os técnicos vencedores já foram definidos, os derrotados foram excluídos, jogadores abaixo da média estão sendo substituídos e os vitoriosos vão se estabelecendo. É difícil dizer quem será o campeão, mas já se mapeia algumas certezas. Assim como já se desenham os rebaixados, cujas campanhas não mudarão muito daqui para frente.

O que fica de expectativa para a torcida avaiana é que subvertamos a ordem. Que reinventemos a roda dos prognósticos e prenúncios fatais e nos assanhemos como vencedores. Que sejamos o ponto para cima fora da curva das estatísticas. Que o Avaí fax coza volte a jogar.

Se no furor das conquistas a ingenuidade nos assola, na decepção das derrotas a lucidez se diz presente. E é ela, lamentavelmente, que nos coloca com os pés no chão, assumindo o quanto ainda temos que percorrer para que não seja decretado o fracasso completo. É uma luta árdua e inglória.

Durante muito tempo briguei com muita gente pelo meu otimismo e por ser tachado de chapa branca. Não deixei de acreditar e nem joguei a toalha, embora falte pouco. Mas a lucidez nos encaminha para a dura constatação da realidade. Ainda assim, resta-nos esperar por uma epopéia, por uma virada deslumbrante, por algo totalmente diferente de tudo aquilo que o Avaí fez nos últimos três anos.

Se eu acredito? Acredito. Mas a dúvida é se o próprio Avaí acredita nisso.

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