Gatinho de madame

Nas minhas histórias de almanaque escritas aqui, como se diz por aí, costumo olhar os exemplos das civilizações que podem nortear a minha vida. Lá na barbearia onde aparo meus restos de cabelos há um livro muito bom sobre a história de Leônidas e seus 300 espartanos que, com bravura e garra, seguraram um exército de milhares de persas. A sua luta foi tanta, no Estreito das Termópilas, que toda a civilização grega, há mais de 2.000 anos, se encheu de orgulho e expulsou os invasores de suas terras, fundando o mundo que conhecemos hoje. Sim, eu sei, leitor, já conheces esta história de cor e salteado.

Mas é o exemplo da necessidade de vencer. De não se importar com o adversário e buscar a vitória acima de qualquer circunstância. Eles, os espartanos, foram leões e não gatinhos mimados.

Pois é, uma história tão simples e famosa falando de competitividade está lá, na barbearia. E não esteve, ao que parece, na cabeça do treinador Gilson Kleina e de seus comandados que jogam pelo Avaí, neste jogo de domingo contra um time em vias de rebaixamento. Fomos frouxos e covardes contra um coelho estraçalhado.

É muito fácil se dizer, oportunisticamente (e até de forma covarde!), que um time de futebol que não vence precisa deste ou daquele jogador. Que se fulano assim ou assado estivesse em campo faria diferente. E que se beltrano tal jogasse de uma maneira o time venceria. Aliás, é muito covarde que velhos jogadores e seus treinadores puxa-sacos venham às redes sociais tripudiar e dizer que fazem falta ao time.

Neste jogo de domingo viu-se que o SE não joga, obviamente, e deve-se, assim, cobrar é de quem está na luta. De quem enverga o uniforme e se mete a entrar em campo, do que suspirar por lendas do passado.

A grita geral da torcida era para que o técnico Gilson Kleina mudasse o esquema. O 3-5-2 seria o mais eficiente e era necessária a volta de Eltinho. Eu digo que não existe esquema de jogo infalível. O melhor esquema é aquele que ganha. Assim como não existe jogador imprescindível. Há os que jogam e os que se aproveitam do nome. Portanto, volto ao meu mantra inegociável: time bom é o que vence e time ruim é o que perde.

Nesta semana que segue, o Avaí será o time ruim do campeonato. Será destratado pela mídia e execrado por sua torcida. No domingo, após vencer o Fluminense, será paparicado pela torcida, mas continuará, é claro, a ser destratado pela mídia. Contudo, dentro do time, é hora do técnico ouvir mais a razão e menos torcedores, ou mesmo a imprensa. E é hora de os jogadores envergonharem menos seus uniformes e serem mais homens com garra e audácia. Os espartanos da nossa história.

Kleina é um bom treinador, mas não é insubstituível. Todavia, não serei oportunista, como muitos por aí, aqueles que não veem seu ídolo em campo e se rasgam de raivinhas, em defenestrá-lo neste momento. Exijo responsabilidade com as coisas do Avaí, apenas isso.

E também exijo, mais ainda, é que se entendam a nossa história. Que o técnico e os seus jogadores saibam onde estão jogando. Nosso clube tem um Leão como mascote. Não é um gatinho mimado de madame com medo de apanhar até de coelho.

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