A alma e o diabo

Nesta terça-feira surgiu nas colunas sociais oportunistas a história de uma proposta para o Avaí Futebol Clube jogar sua partida diante do Fluminense, na próxima semana, que seria na Ressacada, no moderno Estádio da Copa, o Mané Garrincha, de Brasília. O motivo principal seria a estréia de Ronaldinho Gaúcho no time carioca e o clube do Rio de Janeiro queria fazer um megaevento para isso. Até aí, algo natural. Os clubes ao redor do mundo, quando de suas festividades, invariavelmente usam destas possibilidades, que considero pura jogada de marketing. É algo que não dói, não fede e não dá dor de barriga.

Ocorre que, junto a isso, entrou a grana. Seria oferecida ao Avaí, com direito a contraproposta, uma fatia de 700 mil reais para mudar o mando de campo.

E foi por causa disso que a celeuma se estabeleceu. Na barbearia que frequento e onde tomo nota dos textos nas revistas para escrever meus próprios textos, o quiprocó foi generalizado. Os contra e os a favor entraram em ampla discussão. A vias de fato só não foram estabelecidas porque as navalhas estavam cegas. Tudo porque se insinuou que o Avaí venderia o jogo.

Obviamente, para quem acompanha futebol há anos como eu, discussão sobre pontos de vista nesta praia nunca foram com açúcar e com afeto. E até se entender o que estava ocorrendo, a guilhotina deslizou sobre pescoços e membros articulados.

É preciso, portanto, deixar clara uma coisa. Ou várias coisas. Em clubes crescidos como os do campeonato brasileiro, acordos entre eles são feitos daqui para lá e de lá para cá. Os presidentes, diretores e até jogadores em campo se entendem e se relacionam, como adultos. Raros são os que se rasgam com raivinha desta ou daquela postura, como os comentaristas de redes sociais fazem a rodo, por exemplo.

Muita gente, muitos torcedores, sem entender os contextos, saíram apontando dedos e impondo normas, como se a própria diretoria do Avaí não soubesse como fazer. Rasgariam carteirinhas, se o jogo fosse transferido, ou, como disseram, se o Avaí se vendesse. Você, caro leitor, já imaginou a estupidez de uma postura desta.

O Avaí, em vista de tudo e das reações intempestivas, deu uma resposta de cabra macho, negou uma grana que seria benéfica aos seus cofres e não se vendeu, como acusaram os mais apressadinhos. A diretoria azurra aproveitou a oportunidade e reverteu a seu favor toda a questão. E jogou nas costas dos inveterados seus desafetos a obrigação de ir ao estádio e apoiar sua conduta. Mostrou que tem alma e deu uma banana aos diabos, como devem fazer os adultos.

O Avaí perdeu uma boa grana, evidentemente, e eu não pensaria duas vezes em aceitar esta proposta. Mas, como sócio e parceiro do clube, respeito a decisão da diretoria.

Todavia, para compensar a perda, resta saber quantos torcedores que adoram emparedar a diretoria vão a este jogo, quantos convidados a mais vão levar e, se não forem sócios, quando farão seus cadastros na secretaria do clube nas próximas semanas. Porque, meu caro leitor, falar é fácil, muito fácil e o papel aceita tudo.

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