Um Rivotril pra chamar de seu

Observar comportamento de torcedor de futebol é uma das atividades mais hilárias que existem. Muitas vezes é cansativa, porque você se desgasta, mas no geral nos oferece boas risadas. O torcedor de futebol defende teses baseadas em conceitos harvardianos, atesta que possui conhecimento qualificado para entender do esporte e expõe frases e elementos de gramática a fazer lacrimejar Camões na cova. Mas não perde a bipolaridade. Ou a versão moderna da tragédia de Sísifo, a de se está ruim, mesmo chegando ao topo, deixa voltar para fazer tudo outra vez. E a lógica do cachorro que corre atrás do rabo sempre prevalece, a tal: time bom é o que vence e time ruim é o que perde.

Todos sabemos que o nosso time, o Avaí, tem dificuldades no acerto de sua impostura de jogar futebol. Não uso os termos “limitado”, ou “sem qualidade”, por achar subjetivos. Mas, reconhecemos, alguns jogadores precisam aprimorar fundamentos. Talvez seja falta de treinamento, uma expectativa diminuída, baixa auto-estima, perspectivas afrouxadas e demais explicações para um rendimento irregular. É tudo isso e nada disso.

Todavia, no futebol atual, querer que os times joguem como as seleções brasileiras de 1970 ou 1982, como os supertimes históricos do Milan, Ajax e Real Madrid, ou os atuais Barcelona e Bayern é não entender de futebol. Lamento! Você aí, que pensa assim, largue isso e vá assistir tênis de mesa, curling da Noruega ou badmington da Polônia. De modo geral, no resto do mundo, o futebol se igualou e as exceções é que são diferentes.

Ah, sim, você duvida?

Há duas semanas o Flamengo, por exemplo, era candidatíssimo ao rebaixamento e com a inclusão de um jogador (um jogador!) já aspira as primeiras posições do Brasileirão. O Santos pedalou e se impôs no campeonato paulista, mas agora pena para sair da zona de desconforto. O Sport de Recife juntou meia dúzia de jogadores enjeitados no futebol brasileiro e faz um campeonato de encher os olhos. A Chapecoense tem vinte e dois ilustre desconhecidos, mas não larga a primeira parte da tabela. E todos estes times passaram pela Ressacada, com o Avaí empatando com dois e vencendo outros dois com autoridade. Jogamos de igual para igual, aplicando um bom futebol, e impondo uma aplicação técnica e tática invejáveis.

Estamos perdendo pontos, isto sim, por detalhes fulminantes. Aquelas bobeiras implacáveis. Coisas que aquelas características levantadas acima, quando acertadas, vão mudar o panorama. Mas, o torcedor não vê asism. Ele observa o momento e o resultado. Tira a parte do todo e transforma esta parte em um todo.

Bastou um menino ter tido a coragem de bater um pênalti e errado, infelizmente, que o mundo caiu, a cerveja ficou choca e a carne queimou. Agora, nada presta. Mandem os jogadores embora, demitam o treinador, destituam a diretoria e implodam a Ressacada. Ou achem um espaço para o Rivotril M10, pelamordosdeuses, porque tem gente com pressão alta e respiração acelerada pela sua ausência.

Ah, é bom lembrar também que o menino que perdeu o pênalti joga na posição do… deixa pra lá. Já achei a explicação.

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