A qualidade que nos impõem

Frequentemente, eu faço a pergunta a qual ninguém responde: o que é um time com qualidade? Talvez não respondam porque usam a palavra como algo bonitinho, ou porque acham que se confunde com sofisticação, que no esporte pode ser o mesmo que habilidade e competência. É possível que usem para detonar o time mesmo, com aquela velha mania de reclamar de tudo, e imputam que “o time não tem qualidade”. Ou nem sabem mesmo o que é e a usam pra posar de sabidos. Sei lá. Como ninguém responde, eu posso deduzir que o Avaí tem tido qualidade em alguns jogos e em outros não? Certo? Errado!

Qualidade não se perde ou se ganha em função das circunstâncias. Qualidade é algo permanente e em completo aprimoramento. Assim, sou obrigado a abominar esta palavra tão mal usada por aí (sim, desculpe, porque eu sei definir qualidade!) e dizer que o time do Avaí é bom, mas precisa de acertos. E isso, lamento os sabidos, não é definição de qualidade.

Assisto a todos os jogos do meu time, exceto aqueles fora da Ressacada. E vejo um time aplicado, veloz, com marcação incisiva, mas com falhas de cobertura. Meio criador, com ataque ainda não encaixado. Defesa vigorosa, mas com tempo de bola ainda lento. É um time quase perfeito, então? Imagina, há muito o que fazer.

O ponto forte do Avaí são as laterais, aí, sim. Já disse isso certa vez. E que têm esta característica por causa de dois jogadores: Eduardo Neto e Renanzinho. O primeiro cumpre a função do antigo volante limpador de para-brisas sem ser brucutu. Ele cobre os laterais e dá um combate preciso à frente da zaga. E o segundo é um mestre aos 17 anos. Desarma e arma com um precisão invejável, e com um passe primoroso, como poucos no futebol, dando condições para a subida dos homens do lado de campo.

E estas condições têm proporcionado, aos poucos, o padrão de jogo do Avaí. Este time tem jogado assim por causa disso. O que precisa é equilíbrio nas outras posições. Como foi visto no sensacional primeiro tempo contra o time do Oeste. É algo que não nasce do dia pra noite e nem se impõe com jogadores de grife, bem conceituados, os tais com qualidade que ninguém sabe dizer o que é. É com treinamento, entrosamento e consistência nas jogadas, além de muita aplicação do grupo.

Claro que os puristas, aqueles chatos de sempre, dirão que o Avaí joga é na raça mesmo. É com determinação. Time esforçado e cascudo, que não perde a bola.

Sim, também concordo. Mas se tu fores ver o segundo gol contra a Chapecoense, e fores fã daquela história de qualidade, dirás que o time tem qualidade de sobra e que a propalada raça é apenas um mero coadjuvante.

Continuo batendo na mesma tecla: o Avaí vai bem, tem feito boas partidas, tem criado jogadas e o que falta é acertar alguns detalhes, como entrosamento e preparo físico, e fará história neste brasileirão.

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