O avaiano que não gosta do Avaí

O complexo de vira-latas que vemos na torcida do Avaí não é exclusividade daqui, enquanto acompanha a cultura nacional de falar mal de si mesmo. Costumeiramente, diz-se que o país não presta, que seus habitantes são broncos, imprestáveis e burros, que nossa indústria é de quinta categoria, que nossos produtos não valem o centavo que se paga e tudo o que se imaginar sendo da terrinha, além de ruim, é ilegal, imoral ou engorda. Gostamos de nos desmerecer sem cerimônia e adoramos o que é estrangeiro, principalmente se vier com o selo MADE IN USA. E ressalto que não estou mencionando falar mal de governo, porque isso é outra questão e que não vem ao caso. Estou falando da autodepreciação.

Tudo isso eu trago para cá, para o nosso quintal, quando leio, ouço ou observo alguns de nossos torcedores sempre olhando para o quintal do vizinho, onde atestam que a grama dele é mais verdinha, que sua estrutura é melhor, que seus dirigentes são mais espertos. Existe um ressentimento e um ciuminho do Figueirense, do Joinville e da Chapecoense que deve ser algo tratável com uma boa dose de serotonina ou mesmo Rivortril. E uma consulta com psicanalista.

Nossa diretoria é incompetente, alguns são ladrões ou mafiosos, mas todos são imprestáveis. Jogadores são limitados e sem qualidade. Nosso estádio é ruim, o gramado é uma lástima, os serviços são de terceira linha e assim ad aeternun. Em qualquer campeonato onde o Avaí jogue será decretado como fracassado e perdedor e não chegará a lugar algum com sua estrutura mal resolvida, sua camisa mal costurada e seus jogadores perebas, dizem.

Neste jogo contra o Sport jogamos com as cartas que nos bastavam e vencíamos glamourosamente, até o árbitro ter-nos garfado sem qualquer cerimônia e tirado os três pontos. Mesmo assim, o erro foi todo nosso, segundo o viralatismo renitente.

E aí surgem os que depredam o patrimônio. Ora, jogar pedras, pilhas e fraldas no gramado, quebrar a estrutura de proteção, soquear as portas de entradas, enfim, destruir o patrimônio do clube e comprometer até um campeonato é sinal de que a criatura não suporta o seu clube, aquele para o qual diz torcer até morrer. Inconscientemente, ele está atirando contra aquilo que é a razão de suas frustrações. Não é protesto contra os desmandos de árbitros, federações ou dirigentes preguiçosos. É não se importar com o que tem nas mãos. Quem ama não mata, já dizia Nelson Rodrigues. E isso se estende a todo mal estar direcionado ao clube, desde a cornetagem mais sonsa à pedra atirada. Sim, eu sei, a raiva tomou ares intoleráveis diante da roubalheira a que estamos assistindo, ou de toda a incompetência assinalada. Mas tudo tem limites.

Dia destes eu fiz uma ladainha sobre o tamanho de nossa grandeza. Esqueci de dizer que a primeira delas é gostar de si mesmo. Nós não nos gostamos e por isso vamos patinar sempre, seja dentro de campo ou fora dele, enquanto esta mentalidade não mudar. Não damos valor ao que nós somos e, para quem não sabe, só nós poderemos fazer isso. Ou então, como querem alguns nas redes sociais, fechem o estádio e se venda o que sobrou.

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