Um tiro de espoleta

Existe um velha história sobre um tigre que vivia aterrorizando algumas aldeias numa região pobre. Ele possuía um olhar penetrante e devastador, o qual hipnotizava suas presas antes de almoçá-las. Um dia, um caçador foi incumbido de ir ao seu encalço, pois o predador devorou toda a sua criação de cabras e as de todos os seus vizinhos na aldeia. Mas como era pobre, ele tinha apenas uma espingarda velha e surrada, onde cabia apenas uma bala. E então, assim mesmo, ele saiu à caça da fera, com o medo estampado no rosto, mas com a decisão de dar cabo daquilo.

Ao encontrar o tigre, viu que o bicho era bem maior do que se falava, e deduziu que a sua bala sequer faria cócegas no animal, quanto mais ter poder para perfurar a pele e atingir o coração, num tiro fatal. E ele só tinha um tiro. Quando o tigre o encarou e fixou seu olhar penetrante nele, o caçador tomou a decisão mais correta e acertada da sua vida: atirou naquele olho terrível e matou a fera, atingindo a região que era, ao mesmo tempo, poderosa e frágil. Ao final, o caçador correu para casa para trocar as calças borradas de medo, mas feliz por ter resolvido seu problema.

É assim que vejo o meu Avaí neste campeonato brasileiro.

É evidente que não temos ninguém poderoso e que nos faça tremer. Não há nenhum predador forte o suficiente para acabar com a nossa raça. E sequer temos apenas uma bala na agulha numa espingarda enferrujada. Mas é assim que nos portamos. Nosso time vive com medo e se borra a todo instante diante de bichinhos de pelúcia. Sim, os times contra os quais temos jogado até agora sequer têm sombras para nos assustar.

E, ainda assim, insistimos em ir à caça com espingardas de espoleta contra tigres de papel.

O time do Avaí pode não ser uma potência espanhola, sério candidato à Liga dos Campeões, coisa que faz levantar suspiros de dez dentre dez frequentadores do Bar do Bidu. Mas este time para ruim não serve. Não o vejo como candidato a rebaixamento. Tem algo a ser tirado e precisa, urgentemente, dizer o que quer da vida.

Este jogo contra o genérico do Vasco da Gama era para ter trazido três pontos. Era para fazer valer a garra que ainda dizemos haver no nosso hino. Mas quis a história que nos borrássemos mais uma vez.

Segue a valsa desafinada.

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