Qual o tamanho de nossa grandeza?

Ninguém duvida que há uma certa euforia em meio à torcida avaiana, ainda que contida e meio oculta. Mesmo que o resultado contra o Grêmio tenha aguado nosso chope, graças a uma escolha errada do treinador, isso não esmoreceu boa parte da torcida. As apostas numa boa campanha continuam.

Mas, o que ainda nos faz termos o sentimento de time pequeno? Mesmo com toda a euforia reinante, ainda vivemos dizendo que o campeonato que jogamos não é o destes ditos grandes. Até quando nossas ambições se resumirão, num campeonato nacional, a apenas participar? A tirar pontos dos grandes e beliscar vitórias dos de nossa parte para nos mantermos na Série A?

O curioso é que, vez por outra, vemos estatísticas aqui e ali dando conta que nossa posição no cenário nacional é relativamente boa. Nas áreas administrativas, de marketing, de mercado, de percepção da marca, de torcida, de pontuação, nos top of mind da vida do futebol estamos bem ranqueados. Uma ou outra posição mais humilde aqui ou ali, mas, no geral, somos conceituados.

Entretanto, disputamos, convencionalmente, as sombras do banquete dentro do gramado. Ficar entre os grandes e mantermo-nos num patamar mais alto no jogo jogado dentro do campo, é um sonho impossível?

Creio, honestamente, que o que falta é ambição mesmo, uma vontade maior de querer chegar lá. Porém, isso deve ser construído sobre bases sólidas, não se podendo mediocrizar a discussão apenas achando que haja culpas aqui ou ali. Não é relevante apenas à marca do clube, a camisas desta ou daquela cor, à administração de João ou Joaquim, a jogador bom ou perturbado, a torcedor parceiro ou modinha, a uma imprensa imparcial ou seletiva. É um contexto de coisas, que um dia, ao ser conduzido por vários atores envolvidos e sem vaidades, poderá nos levar ao tão almejado patamar dos grandes do futebol nacional. O processo é amplo, complexo e estrutural.

Um clube bem estruturado, portanto, tem que ter força nas suas categorias de base, pra começar. Formar atletas que gostem do clube. Ser fornecedor de talentos com o nosso DNA. Dispor de gente da casa para formar os seus próprios times. Um time de futebol é aquele que é feito em casa.

A relação com o torcedor é outro fator que determina a sua grandeza. Sou avesso a promoções de ingressos ou de ingressos baratos. Mas, também, isso só acontece por existir uma política de sócios muito longe do que um torcedor parceiro almeja. Não falo em poder comprar camisas mais baratas, ser sorteado para assistir jogos em camarotes ou passear com os atletas. Isso é muito frouxo. Clube de futebol não é shopping center para tratar torcedor como cliente ou consumidor. Não se negocia um amor. O torcedor de verdade e parceiro do clube, o que investe, o que está ali na alegria e na tristeza quer ver seu investimento bem tratado, como seria se fosse sócio de uma empresa ou companhia de negócios. Ou até mais, pois se envolve com a paixão. Ônus e bônus correndo juntos em via de mão dupla. Num clube grande, o sócio, portanto, não é aquele que só tem a cadeira cativa na arquibancada, mas o que é ouvido e toma decisões junto com a diretoria.

O clube grande deve estar aberto a parcerias profissionais e empresários que desejam investir com atletas e patrocínios. Porém, o clube deve ter a palavra final. A seleção brasileira é um exemplo claro de decadência em função do arrendamento de sua marca para exploradores inescrupulosos. O futebol não pode ser máquina de fazer dinheiro, isto tem que ficar muito claro. O dinheiro deve existir para, exatamente, colaborar nos investimentos, mas jamais ser o objetivo final.

Com relação à montagem de um time de futebol para uma temporada vitoriosa, os critérios devem seguir o que as categorias de base têm à disposição para usufruto do elenco principal. É aí que se percebe a grandeza de um clube. O mercado deve apenas oferecer aquilo que garantirá uma equilibrada na qualidade técnica do elenco e não ser o fornecedor principal. O craque do time tem que ter identidade com a história do clube.

Para um clube de futebol ser grande, ou considerado como grande, tem que ter um nome forte. E isto só se consegue ganhando campeonatos, ou, ao menos, participando deles com louvor. Esta é a finalidade, a priori, do futebol. O departamento de marketing, cujo desempenho confunde a cabeça de muita gente, fará a segunda parte do processo, que é manter este nome, esta marca em evidência gerando os devidos frutos. O contrário disso é vôo de galinha.

No mundo da fantasia chamado futebol, os que mantêm os sonhos são aqueles que chegam sempre na frente. E isso depende de talento, disposição e seriedade. Um clube grande tem tudo isso? Pois é, acho que já respondi aos meus questionamentos.

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