Um Kleina genérico

Assim que Gilson Kleina assumiu o Avaí ele mudou a formatação de nosso meio de campo. Se antes tomávamos bolas nas costas dos laterais adversários, ele colocou Pablo e Eduardo Neto, outrora os mesmos alas/laterais que sofriam isso, atuando como volantes e o Avaí começou a mudar sua forma de jogar. Eduardo Neto, a propósito, já fazia isso com Geninho e o Kleina apenas aprimorou. Nossos atuais laterais saem mais para o jogo e as opções de ataque são melhores. O Avaí começou a jogar um futebol diferente, mais equilibrado, mais competitivo. Nada de encher os olhos, mas o suficiente para fazer boas partidas e pontuar, e bem, no campeonato brasileiro.

Estes dois jogadores não são, por assim dizer, merecedores de um Hall da Fama na Champions League, tampouco serão destaques no final do Brasileirão, mas, por incrível que pareça, com toda a sua carga de ruindade, eles encaixaram a marcação, que antes era frágil, ajudaram na cobertura da subida dos laterais e fazem a bola sair com alguma qualidade, algo buscado por nove dentre dez times nos campeonatos ao redor do planeta. Se você não sabe, leitor, a saída de bola é a principal arma para um time marcado sob pressão ter capacidade de resolver um de seus primeiros problemas, que é a armação para o ataque.

Mesmo sendo vaiados e apupados por entendedores de futebol, aqueles que só tem olhos para o Marquinhos e abominam qualquer jogador que vista a camisa do Leão que não seja ele, estes dois jogadores resolveram um pouco a nossa vida. São os chamados operários do time e exercem a função determinada pelo técnico. Todavia, na ausência de um deles, o time tem que se reinventar e, ao que parece, pela formatação do grupo, a coisa é um pouco mais complicada, pois não temos gente que faça o que eles fazem. Ou, pelo menos, o treinador deu mostras de não ter a solução.

O treinador do Avaí, obviamente, não quer entrar em armadilhas. E, como todo técnico, busca alternativas. Só que muitas delas carecem de uma visão mais profunda deste time, de sua forma de jogar. E o resultado foi o que se viu neste jogo contra o Grêmio.

De um time lutador e com meia cancha marcadora, viu-se zagueiros sendo acossados e o ótimo cabeça de área Renan tendo que resolver tudo além de suas capacidades, liberando bolas para ninguém e rebatendo jogadas de modo afoito, fugindo de suas características. O Avaí perdeu não porque um jogador errou o passe e deu a vantagem para o atacante do Grêmio, mas porque o esquema era, de todos, o pior a ser jogado nesta tarde de sábado.

O 3-4-3 (ou 3-4-2-1, como queiram) proposto por Gilson Kleina foi risível para aqueles que observam o futebol sem paixões. Colocou o bom meia Denner fazendo a função de volante e queimando o rapaz, que obrigatoriamente tinha que marcar antes de criar, e quando pretendia acertar um passe vertical, toda a marcação adversária já estava nos seus calcanhares. Se Kleina tivesse feito ao contrário, ou seja, colocado o camisa dez de plantão em cima da zaga adversária, como tem feito com o titular da posição, o adorado e idolatrado Marquinhos, teria mais vantagens.

Geninho conseguiu dar uma cara de time a um grupo sem alma, com força e disposição. Mas ficou cansativo, pois não saiu da mesmice. Kleina pegou daí e deu uma tática básica mais consistente ao time, fazendo os jogadores rodar e impondo uma marcação dura e determinada. Se voltar a esse lugar-comum de querer inventar, arrisca perder, também, o prazo de validade.

Mas, falar de resultados é fácil.

Kleina deve ter aprendido com o erro. Segue o baile.

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