A necessidade de torcer pra gente mesmo

Para quantos times de futebol a gente torce?

É uma pergunta curiosa para ser respondida nos dias de hoje, porque faz lembrar que, até bem pouco tempo, o morador de Florianópolis torcia para praticamente qualquer time do eixo Rio- São Paulo, além dos daqui. Tinha até gente que torcia para o América do Rio, pensa na desgraça. A tradição do nosso futebol, em nível nacional, se restringia a jogos amistosos, apresentações festivas nos campos daqui dos times daquelas praças ou uma ou outra rara partida num campeonato nacional onde quase todos os times do país jogavam entre si. Normalmente, nossos times eram convidados, fosse por um ranking furreca ou por apaniguados políticos.

E, quando um deles “descia”, nosso aeroporto era invadido por centenas de admiradores dos “times de fora”.

Isso fez com que o torcedor habitado em Florianópolis, ou mesmo em nosso Estado, acostumado a assistir jogos de outros locais e se apaixonar por eles, se tornasse crítico contumaz e exigente excessivo dos times locais, imaginando, ainda, que torcíamos para os grandes times do Vasco, do Flamengo, do Corinthians ou daquele Santos mágico de Pelé e companhia.

Sim, exigentes. Muito exigentes. Exigentes a ponto de achar que podemos entrar num campeonato brasileiro e sair nadando de braçadas e dando espetáculo aqui ou ali. Que seria muito normal ir a um Morumbi ou mesmo Maracanã e voltar com três pontos, fora o baile.

Ainda que a realidade do futebol jogado nas terras brasileiras tenha perdido muito de seu glamour, que os jogadores se equivalem com muitos músculos e pouca técnica, que as variações, táticas e possibilidades de jogo são praticamente as mesmas, mudando apenas nas cores dos uniformes, ainda assim falta-nos a tradição. E isso conta. Conta muito. Você que está chegando agora e exige que seu time seja uma réplica do Barcelona não imagina o quanto.

Exigir um futebol com os cuidados devidos e entendendo as dificuldades, sem ser humilde e ainda ambicionando algo além de um mero sparring. Estes são os pontos que devemos passar a ter como foco, jamais um oba-oba recalcado.

Por outro lado, o fato de jogar um campeonato brasileiro equilibrado e cascudo esbarra, de cara, no investimento proporcionado pelas TVs, elas, sim, imaginando que ainda estamos nas décadas de 1960/1970. Jogadores com mais recursos técnicos preferem, obviamente, jogar onde se paga melhor. É a lei do mercado.

Um time com onze dotados de bons recursos e altos salários tem mais vantagens do que o de valorosos raçudos abnegados e doidos para aparecer naquele onde o faz-me-rir é polpudo. Por isso, eu valorizo aqueles que saem do nada para brilhar. Eu não dou trela para jogadores já formados e transformados em ídolos, que joguem aqui ou venham cair de pára-quedas em nossos quintais. Eu levanto a bola para quem quer um lugar ao sol e ainda luta para isso quando for criado aqui, no mínimo. Isso é bairrismo? É, digo sem nenhuma vergonha, até porque está na hora de a gente defender o que é nosso.

Por isso, esqueço que já suspiramos por times alienígenas. Nossos times são os que jogam aqui. São os que vivem nosso dia a dia. E são os que nos representam, cada qual com o seu. Devemos, portanto, dar valor ao que são e não ao que se imagina que seriam. E que, por esta razão, está mais do que na hora de ocuparem um lugar ao sol.

E só depende da gente, torcedor, que eles despontem e adquiram a tradição que os do passado das outras regiões já tiveram.

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