Graças aos despreparados, a intolerância venceu

Ao saber das declarações da PM de Santa Catarina e do Ministério Público local, afirmando que não estamos preparados para um público misto nas arquibancadas de nossos estádios de futebol, eu me preocupo e me incomodo.

A preocupação é a de que, efetivamente, estamos dominados pelos criminosos presentes nestes locais. Até em outros, quem sabe! E o incômodo é: o que fazer com nossos impostos que são pagados exatamente para que o poder público nos assegure uma vida mais humana e de coexistência pacífica, e com segurança no convívio social?

Esta postura das “otoridades” revela o quanto são frouxos, covardes e lenientes. A conivência com os desmandos de torcidas organizadas revela falta de capacidade na gestão de conflitos ali existentes. E, na verdade, obviamente que não querem se indispor a isso tudo envolvendo o futebol. Não mexem em abelheiros.

Quem está impedindo que isso aconteça, um estádio com cores misturadas, são os bandidos infiltrados nas torcidas. E alguns intolerantes que convivem no meio delas. Além de jogadores irresponsáveis apaniguados por dirigentes relapsos. E dos dois lados, diga-se. Neste momento não eximo, também, as diretorias de Avaí e Figueirense por este estado de animosidade imbecil que cresce por aqui.

Se há famílias, onde torcedores adversários se misturam, que desejam assistir juntos a um jogo, as organizadas e os intolerantes não deixam. Simplesmente assim. A diversão deu lugar a guetos cercados por alambrados. Irmãos, cônjuges e pais e filhos devem ficar isolados por trás de cercas protegidas por PMs truculentos porque a intolerância não permite os abraços e convívios entre as opiniões diferentes.

Talvez isto seja um explicação para que tanto ódio e ofensas estejam disseminados nas redes sociais, por exemplo. É onde ter opinião arrebanha impropérios, insultos e ofensas por quem não concorde, ao invés de se promover um debate. Em lugar de se construir uma postura avançada em meio aos contrapontos.

As redes locais de mídia, blogs e assemelhados exacerbam a desídia no trato da coisa pública, ao deixar a imparcialidade de lado e tentar fazer agrados seletivos ou punições direcionadas. Aliás, era hora de dizerem FORA MANCHA AZUL! FORA GAVIÕES ALVINEGROS! E fora todas as organizadas com maior ou menor envolvimento com a bandidagem presente nos estádios de futebol. Em vez disso, calam-se. Ou se omitem.

Quando se esperava que formadores de opinião colaborassem para que a civilidade reinasse, asseguram-se para que o status de intolerância permaneça. O medo de se indispor fala mais alto. E calaram as pessoas de bem. Esvaziaram o discurso das boas práticas de civilidade.

Se não estão preparados aqueles que se dizem autoridades para conter movimentos de rebeldes sem causa, larguem isso. Fazer figuração é para bonecos em teatro de marionetes ou picadeiros. Não é na administração pública. Não é gerindo erroneamente o dinheiro que é pagado nos impostos. E levem com vocês estes torcedores frouxos que têm medo de mexer com as organizadas.

Estamos vivenciando mais uma derrota para o futebol e mais uma vitória do preconceito e da intolerância.

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