Muito mais que resultados

As atuais manifestações de entendidos de futebol espalhados pelo planeta dão conta que o melhor time do mundo é o Barcelona. É verdade, o time da Catalunha enche-nos os olhos pelo futebol fácil que joga. Mas, de certa forma, corrobora a minha afirmação de que é bom porque está ganhando. Sim, sei, o metido irá dizer que é uma obviedade. Exatamente. Mas o metido insiste: afinal, com aquele monte de craques, quem não jogaria bem? E eu afirmo: muitos times não jogam. E sabes porquê? Porque não é o CPF estrelado que faz um time jogar bem, mas a sua disposição em campo. É querer vencer.

Podes fazer uma lista, eu espero. Quantos clubes de futebol com plantéis galácticos há no mundo e que sequer nos fazem os olhos brilharem? Não cativam nem as crianças, ávidas por heróis.

Há uma simples lógica ali, no Barça, que faz a diferença. Claro, há a tática, aspecto básico para um time ser vencedor, mas que quase passa despercebida quando o time que usa a camisa do Marcilio Dias consegue ser soberano e se manter supremo há muitos anos. Sabes qual é esta lógica, tu que sabes tudo de futebol?

Sim, vais logo dizer que eles jogam compactados e vão para o ataque em conjunto, com os jogadores dando passes curtos e seus laterais jogando avançados e abertos, praticamente sem marcação. Isso todos vemos de imediato. E graças a muito, muito treinamento.

Porém, o detalhe é simples. É bastante empenho de seus jogadores. É, é sério! Assista a uma partida do Barcelona e de outro time qualquer que possua craques e veteranos. Não preciso dizer, tu vais logo perceber a diferença. Quem ficaria noventa minutos tocando bola para lá e para cá, enfadonhamente, e esperando uma chance de fazer um gol e vencer uma partida? Poucos aguentam isso. É preciso dedicação e vontade.

– Ah, mas o Messi…

Sim, claro, tem o Messi. E tem Neymar. Mas eles já tiveram Ronaldinho Gaúcho fazendo praticamente os mesmos malabarismos. E também foram vencedores naquela época. Ou seja, eles jogam, historicamente, pelo craque. Eles se doam em conjunto. E se dedicam o tempo todo. Isso é o que faz a diferença. E por isso são respeitados ao longo dos tempos.

Quando vimos a traulitada que o Avaí tomou do Galo mineiro logo pensamos nos erros cometidos tanto por jogadores, como por seu treinador. Pensamos nos erros táticos e de técnica, mas certamente não nos atentamos para a condição básica para fazer um time ser vencedor. É querer vencer. É se dedicar ao máximo. E sabemos muito bem o sofrimento que nos dá quando o time não quer, por razões pessoais, etílicas ou sindicais.

A trombada do Galo foi inevitável. Mesmo se tivéssemos jogado com o bom senso debaixo do braço, seria difícil resistir àquela avalanche provocada pelo time de Minas. E, embora tenham perdido para o Cruzeiro no clássico logo depois, coisa que sabemos muito bem por aqui que num clássico o pior no momento se fortalece, o Atlético é fortíssimo candidato a campeão por aí, em qualquer torneio.

Mas, ainda assim, foi um atropelamento casual. O Avaí joga a Série A linha, num campeonato no qual ainda não disputa espaço com os chamados dinossauros mordedores.

Por isso, jogar arrumadinho e por uma bola contra os do nosso nível, é o que importa agora. E jogar com disposição e garra. Não a garra da porrada e do carrinho criminoso. Não a de fazer sangue nas canelas adversárias, mas a de sair exausto e até vender caro uma derrota.

Fizemos pontos consideráveis contra Coritiba, Flamengo e Goiás, e devemos manter a mesma batida contra adversários semelhantes exatamente jogando na garra e na vontade, na doação extrema e absoluta.

Há que se entender que temos que pontuar de qualquer jeito e com as condições que vierem. Não estamos aí para jogo bonito e para dar espetáculos. Estamos há anos luz do Barça, embora possamos jogar com o memso empenho e dedicação. Não é difícil. A velha história dos tempos mais bicudos da Série B, jogar pelos três pontos, fazendo gol de bunda, de barriga ou com a ponta do cabelo deve ser retomada. Não importa como, mas há que se fazer pontos.

Dessa forma, quando vejo gente querendo jogo bonitinho e desmerecendo uma vitória que nos coloca entre os dez melhores do Brasileirão fico pensando no quanto uma criatura assim sofre de ressentimento. Tivemos sorte? Não temos qualidade? Ah, vão dormir, vinagres.

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