A volta da pedra

Existem frases em pára-choques de caminhões, ou ditas em balcões de botequim, que são verdadeiros ensinamentos. Os soberbos e de nariz empinado dão como filosofia barata e os mais humildes olham e refletem, sem coragem de seguir adiante. Mas, de modo geral, muitas delas guardam verdades e a maioria nos faz repensar aspectos do cotidiano, principalmente quando dos momentos de crise. Já diriam os antigos povos que crises são uma opção para gerar oportunidades de melhorias.

Uma das frases mais interessantes que li por estes dias era: se a vida te der um alface, devolva um X-salada.

Curiosa, interessante, comum, banal e cheia de obviedades. Cômica, por sinal. Mas é exatamente a proposta para se tirar da simplicidade algo mais bem elaborado. Chama-se criatividade. Aposta no futuro, no otimismo. É assim que se pode driblar os momentos mais cascudos e enegrecidos em nossas vidas. E olha que não tem sido fácil, viu!

Conta-se uma anedota muito famosa de um pai que tinha dois filhos gêmeos: um otimista e outro pessimista. Num belo dia, no aniversário deles, o pai deu de presente a cada um uma lata de bosta de cavalo. O otimista saiu correndo gritando: “cadê meu cavalo, cadê meu cavalo”. O pessimista largou a lata em cima da mesa e declarou: “que desgraça, não vai ter bosta pra todo mundo”.

É dessa forma que eu vejo comportamento de torcida de time de futebol e, principalmente, da nossa. Majoritariamente, ela lamenta a falta de bosta para todos e ainda quer dividir a que tem com todo mundo. Ai de quem queira pensar diferente. Eu, sinceramente, para o bem do meu fígado, estou fora disso. Eu quero o meu cavalo. Eu pego o alface e devolvo o X-salada. Eu quero que as coisas andem bem e procuro levantar o lado positivo disso tudo.

– Ah, mas a situação não está fácil pra gente ficar aplaudindo isso ou mais aquilo – diria o empedernido que não quer largar o osso da crise.

– Vives num mundo de fantasias – dirá o que se acha mais esperto e lúcido.

Claro que não! Quem disse que está bom? Eu, pessoalmente, ando azedo com tantas bobagens feitas na Ressacada em tão pouco tempo. Com tanta gente metida a esperta, mas incapaz de botar nosso clube nos eixos. Mas, pensando bem, viver apontando isso, dia após dia, resolve? Tens certeza que vai melhorar alguma coisa? Tens feito algo além de viver esbravejando feito cachorro no cio? Ou preferes manter os braços cruzados e ficar com carinha de bravinho? Segundo as leis da Física, a pedra jogada para cima certamente voltará sobre a tua cabeça.

Se alguém de nossa torcida não sabe, para jogar pedras contra a gente existe a mídia local, que adora apontar o nosso lado mais negativo. E tem ainda a torcida rival, que, para quem também não sabe, torce contra tudo o que é nosso. Convocam até jogadorzinho medíocre para fazer videozinhos criminosos contra a gente. Ou seja, já há quem faça este papel que tu tentas fazer, como quem não tapa o sol com a peneira. Tu não sabias disso, virgenzinha vestal? Pois eles estão lá, todos os dias, levantando o que temos de pior para acabar com o resto que ainda temos. E tu fazes igualzinho aos caras e ainda se diz avaiano até morrer? Que papelão!

Se nossa diretoria vive dando topadas e nossos jogadores estão no limite do que podem produzir, apontar isto todos os dias é entregar o ouro para o bandido, sinto muito. Isso não vai ajudar em nada, por mais que se diga que uma crítica tem efeito construtivo e blábláblá. Estamos, tão-somente, nos apequenando, dizendo para todo mundo que não valemos nada. “Eles” querem que não valhamos. Mas parece que nós também. Somos, talvez, o clube mais fraco desta Série A, mas parece que se tornou divertido a alguns avaianos apontar isso. Exercemos o direito de nos desmerecermos bem mais do que a realidade.

Assim, a primeira crise que devemos combater é a nossa interna, a do nosso complexo de inferioridade. E pegar junto. Assumir o time que temos, mesmo com as dificuldades que sabemos existir, e fazê-lo superar todos os problemas. Até porque não temos outro. E, detalhe mais importante: só nós, apenas nós, torcedores avaianos, podemos fazer isso. Os outros, meus caros, vão cuspir e tripudiar sobre nossas sobras, não tenhas a menor dúvida quanto a isso.

Tu entendesse? Entendesse, né? Então acho que posso largar o lápis e deixar pra desenhar mais tarde.

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Um comentário sobre “A volta da pedra

  1. Olá, Aguiar!
    Discordo: Se ficar apontando as incapacidades de nossa diretoria não resolve nada, ficar inerte a toda esta situação é que não vai resolver mesmo. Nós, Avaianos, somos os mais interessados que a diretoria acerte na maioria das vezes. Não podemos fechar os olhos para o que está acontecendo. Você está azedo com ela, nós também estamos.
    Concordo: Ficar apontando os limites do nosso time, isto sim, não vai ajudar em nada. É o que temos e é esse grupo que devemos apoiar nos jogos. Cobrar deles disciplina, vontade de ganhar, disposição para sempre querer acertar.
    O time eu apoio, esta diretoria não.

    Adenilson

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