Um Leão de unhas aparadas

Todo mundo sabe, até o reino mineral (alô, Millor!), que um ajuntamento de jogadores para se caracterizar como time de futebol deve ter consistência tática, organização, arranjo, saber o que fazer em campo, ter um bom preparo físico e finalizar no gol adversário, aliás, o principal objetivo deste esporte. Eu sei disso, você sabe, os treinadores do mundo todo sabem. Isso é a essência do futebol, diga-se, do futebol bem jogado. Mas não basta só isso.

Há uma segunda coisa que é meio que um contrato oculto feito com os jogadores todas as vezes que serão convocados para um jogo. É a disposição. A vontade. O empenho. Aquilo que se convencionou chamar de raça, de garra. É aquilo que a torcida aplaude no carrinho bem dado e os guris da arquibancada enchem os olhos de lágrimas todas as vezes que um jogador de seu time entra dividindo e as faíscas na canela adversária brilham. A entrega em campo é suficiente para resolver problemas de salários ou um esquema tático mal definido.

Muita gente baba os ovos do Pepe Guardiola a frente de Bayern de Munique. De aloprados a virgens vestais o acham a divindade dos deuses do futebol na Terra. Mas bastou o seu time tomar um côco do decadente Barcelona (outra marra dos grifeiros!) para que já fosse contestado. E até todo o time do Bayern, o Gigante da Baviera, foi visto com outros olhos. Quem assistiu ao jogo dos 3X0 válido pela Champions League percebeu, nitidamente, que o time alemão se achou a última bolacha do pacote. Não dividiu, não se impôs, chegou atrasado, ao contrário do seu rival espanhol. E o resultado todos vimos. A lógica do futebol é simples: time bom é aquele que ganha, time ruim é o que perde.

Trazendo esta lenga-lenga para o nosso quintal, sabemos coisas de alcova dos anos lamentáveis de 2013 e 2014 nas redondezas da Ressacada. E se alguém não souber que vá atrás da informação. E todo mundo dizia que era problema de salário, de qualidade técnica, de treinadores assim ou assado. Não! Nada disso! Era de vontade mesmo. Alguém exigiu um prêmio, não deram e os jogadores tiraram o pé. Não ralaram a bunda na grama. Se fizeram de tansos em cada partida. E caíram na esbórnia, que era para aproveitar o restinho de suas passagens pela Ilha da Fantasia que é Floripa. O Avaí era só aquele que assinava as suas carteiras de trabalho, nada mais.

E não foi o Geninho que deu um jeito. Ele não é o bambambam do esquema tático. Muita gente se antecipou a dizer que ele era o cara quando conseguimos boas vitórias. Bobagens! Ele apenas levantou a auto-estima dos arrenegados e os fez jogar. Por 12 jogos saímos de uma lama fétida para conseguir uma classificação à serie A. Não foram os resultados da última rodada, muito menos a toupeira do América Mineiro. Foram aqueles jogos onde o time adotou uma alma, um estilo, uma raça digna dos melhores times do mundo que querem vencer.

Com o Kleina está sendo a mesma coisa. Ele não é melhor ou pior que seu antecessor. Apenas deu um gás na máquina, colocou gasolina Premium e os jogadores voltaram a voar. Os entendidos gostam de abordar sobre falta de qualidade técnica, de jogador diferenciado, disso e mais aquilo, e que agora voltou o time do Estadual. Eu si divirto! Coitados! Sabem de nada. Um dia escreverei sobre o que aconteceu naquele jogo de Fortaleza, em 2004. Ou da reta final de 2009, quando podíamos beliscar uma Libertadores.

Um time que se diz Leão deve mostrar as garras sem medo de ser feliz. Impor respeito. Fazer o adversário tremer ao ouvir seu nome. O nosso Leão da Ilha foi ao manicure antes do jogo contra o seu rival, no jogo válido pela Copa do Brasil desta quarta-feira, e aparou as garras. Foi um gatinho castrado e dócil. Muito diferente daquele que rugiu na Ressacada pra cima do mesmo Figueirense e até do Santos. Sobrou soberba e passividade.

O que ganha um jogo de futebol é se entrar dividindo a primeira bola e terminar o jogo com as canelas roxas, mas com placar favorável. O resto é lenda.

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