As pitonisas do templo

Você sabe o que é uma pitonisa? São aquelas adivinhas da Antiguidade, que usavam cartas, desenhos nas nuvens, choros de bebês e até formato das vísceras de um animal recém abatido para dizer o que se passaria no futuro. Normalmente não adivinhavam nada, apenas percebiam o que estava acontecendo e comentavam o ocorrido de acordo com os humores alheios. Como o pessoal da época era ávido por notícias e vivia estressado com ataques inimigos, acreditava em tudo o que as espertas diziam, mesmo as maiores mentiras. Não ganhavam rios de dinheiro, essas astutas, mas tinham prestígio diante da patuleia incauta e das virgens vestais de ocasião.

No mundo moderno também temos nossas pitonisas. São mais conhecidas como engenheiros de obras prontas. Palpitam sobre tudo e posam de sabidos, sempre tendo uma solução para todos os males e mazelas que nos afligem. Numa prova específica pouco sabem conjugar o verbo haver e vivem pedindo esmolas institucionais para pagar as contas.

No mundinho do nosso Avaí temos algumas pitonisas e muitos engenheiros de obras prontas. Pouco ajudam a resolver os problemas, que são grandes o suficiente para se viver lamentando, e vivem abrindo mais ainda as feridas, que é para posar de sabe-tudo. São os que jogam merda no ventilador a todo momento para dizer que têm conhecimento da coisa, possuem a fórmula dos concertos na ponta da língua, conseguem derrubar os melhores cientistas da NASA com seus palpites inteligentes e seriam capazes de levar o clube a jogar a Champions League por convite.

Todavia, são incapazes de arregaçar as mangas e dizer: eu quero ajudar.

São os que usam o deboche, a falta de respeito e estendem a faixa “EU JÁ SABIA” a todo momento.

Aliás, torcida organizada exigindo bom comportamento da diretoria do clube é de rachar o carrinho de gargalhadas.

Blogueiros insanos, molhados a Rivortril, que perderam uma boquinha na Ressacada quando foram derrotados nas últimas eleições, sequer sendo sócios do clube, virem com discurso empolado com as soluções na ponta da língua, é de perder a barriga de dar risadas.

Ainda temos uma mídia colonizada, que depende da existência de nossos clubes para terem um lugar ao sol, mas usam a chacota e a má vontade como forma de obter benefícios informativos e contratos de alcova, no intuito de manter nossos dirigentes na linha. Quem acompanha o tal Obituário Diário, programa que diz ser de esportes no horário da tarde numa rádio famosa, percebe que vivem muito mais de maledicências e fofocas, do que com conteúdo informativo.

Eu, como sempre faço, me afasto disso tudo. Minha elasticidade sacal é pequena.

Temos muito a resolver no Avaí, muito mesmo. A propósito, temos um oceano de problemas, onde os administradores avaianos estão dando nó nas próprias costas e tropeçando nos próprios pés. Eles precisam retomar o clube nas mãos imediatamente.

Mas se ficar levantando essas questões a toda hora, chutando bêbado e cachorro morto, minha contribuição para que as coisas se resolvam será nula. De nada adianta sair por aí apregoando o NÃO TE DISSE.

Prefiro continuar ajudando o meu clube com a mão estendida, do que conviver com tamanha boçalidade. O que as pitonisas querem é aparecer. Quem sabe ali na frente surja um bom contrato, né, mô quirido?!

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