No fio da navalha

É sabido que o presidente Nilton Machado não era a primeira opção do saudoso presidente Zunino para dar continuidade ao seu trabalho. O presidente Zunino apostava em outros personagens, que correram da raia e não tiveram coragem de assumir a administração do Avaí Futebol Clube. E posso chamá-los, todos, de frouxos, sim, sem nenhum problema.

Está claro que o ex-presidente, assim como muita gente sensata, não ia admitir que o pessoal da dita oposição, cuja sede é num famoso bar do bairro Kobrasol, assumisse a direção e acabasse com aquilo que já havia sido construído, mesmo que tenha sido pouco, segundo é dito pela murrinha encruada. E tanto é verdade, que nem eles mesmos, os da oposição, estavam convictos do que queriam, haja vista que dias antes do pleito houve uma reunião para acertar detalhes de um acordo, uma coalizão, de forma a assumirem juntos com o atual presidente uma administração deles, pautada no ódio e na insegurança que eles sempre disseminaram. O resto todo mundo já sabe.

O presidente Nilton assumiu e já se percebeu que estava com muitos anos-luz de sintonia nula em relação aos momentos vividos na Ressacada. Suas declarações, não preciso relembrar, demonstraram isso. Só o fato de não saber das dívidas existentes apontavam o problema que iriamos ter dali por diante.

Contudo, não estou lamentando e nem vou fazer um libelo de arrependimento por haver apostado na candidatura dele. Muito pelo contrário. Louvo quem assume uma empreitada dessas. Como disse, enquanto os outros correram, foram frouxos, ele assumiu. Ainda que precisasse se integrar mais dos acontecidos no Avaí, foi corajoso o suficiente para encampar uma tarefa árdua e inglória. Assim, vou contestar frontalmente quem quiser sabotar a direção do Avaí, optando por uma sanha golpista que tenta tirar, na marra, quem se dedica a uma administração, tal qual o que ocorre no campo político do país. Os derrotados têm que aprender a conviver com a democracia, seja em qualquer esfera da vida pública.

Entretanto, evidentemente, como sócio e torcedor, tenho que fazer as devidas críticas. Cobrarei responsabilidades como se deve e apontarei um caminho que é necessário, assim como fiz na época mais crítica da administração Zunino. Não aceito, por isso, a declaração vinda dele de que o planejamento na Ressacada para este ano foi correto. Os resultados são pífios, isto está estampado, e planejamento correto é aquele cuja meta é alcançada. Se não, é apenas projeto de voo de galinha.

O presidente do Avaí tinha por obrigação demitir sumariamente quem nos prejudicou no caso Antonio Carlos, fosse quem fosse. Houve ali um prejuízo enorme ao clube. A desmotivação no meio da nação azurra é inominável. Também deveria ter afastado, sem remorso algum, os jogadores que tiraram o pé nos jogos decisivos do ano passado e que nos custaram um catarinense e quase nos deixaram mais uma vez na série B. Por picuinhas internas. Por melindres entre boleiros. E tudo num momento crítico para a vida do clube, situação que deveria ser compreendida por aqueles que dizem vestir a camisa com listras azuis e brancas. Sabe-se, hoje, que a tese de atrasos de salários para justificar mau desempenho foi uma balela.

Ainda em cima da reforma administrativa, o presidente do Avaí tinha a obrigação de enxugar o quadro de funcionários, aqueles que não funcionam e são mais decorativos que a bandeira hasteada no centro de treinamento, estando ali apenas para se relacionar com amigos e penduricalhos externos. Era isso que se esperava e ainda se aguarda do presidente do Avaí, coisa que certamente deverá ser tomada nos próximos dias, sendo a pessoa sensata e íntegra que é.

Espero, impaciente, que o presidente Nilton dê um norte ao clube e um destino para nossas conquistas. Que assuma devidamente a instituição e faça jus à confiança depositada nele principalmente por nós que estávamos ao seu lado desde o primeiro instante.

O Avaí, hoje, corre no fio da navalha. Se apertar, pode sangrar, se aliviar, pode cair de uma altura inglória. O presidente, portanto, terá que descobrir esse ajuste e será cobrado como convém por todas essas coisas, se as atitudes para levar o clube a frente não acontecerem, e será louvado quando as vitórias voltarem.

Mas, independente de qualquer coisa, a minha mão, assim como de muitos torcedores centrados e honestos, estará estendida e apoiando no que for necessário, naquilo que for preciso para fazer um Avaí que nós queremos.

O Avaí é muito maior do que todos nós, muito mais do que singelos torcedores, diretores e até jogadores, e não é pisando nas feridas e torcendo para dar errado, como forma de validar algumas críticas sem critério, que sairemos dessa fase nebulosa. Eu estou do lado de quem pensa no Avaí e não nos meus umbigos. E creio que o presidente Nilton segue esta conduta. Assim espero.

Por isso, o momento de dar respostas é agora. A oportunidade para derrubar a crise está passando encilhada. E tenho a convicção que vamos sair dessa, como sempre foi feito no Avaí.

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