Quem cuida da vaca magra?

Qualquer pessoa, quando vê em sua casa, em sua empresa, ou mesmo nas administrações públicas, que o dinheiro está acabando aperta os cintos. Começa a cortar gastos. A saladinha passa a ser apenas de alface e nada de tomate seco. A carne é aquela com pelancas mesmo, pois picanha e filé mignon é só no Natal ou aniversário da avó. Andar de carro deve ser apenas para o trabalho e se for para sair nos fins de semana só se for para filar bóia na casa dos parentes e amigos mais chegados. E quanto maior a penúria, mais se corta TV a cabo, usa-se a internet só para ler as notícias, a empregada é mandada embora, compra-se arroz sujo no lugar da ração especial para dar ao cachorro e roupas ali de Brusque mesmo e não de Miami, com prestações em 24 vezes sem entrada.

Isso é o que todas as pessoas normais com algumas dificuldades financeiras fazem. Isso se chama “política de pés no chão”. Isso tudo serve para que, depois de passado o enrosco financeiro, o cabra volte a ter algum conforto. Dá até para adquirir um ar-condicionado para dormir um pouco mais fresco no inferno do verão.

Foi o que fez o Avaí neste início de ano. Não tinha dinheiro sobrando, aliás, não tinha dinheiro, e acabou tendo que se contentar com carne de segunda e apenas alface na salada. Isso é válido e o mundo não vai se acabar por causa de um pouco de sacrifício. Não conheço alguém que tenha morrido por haver comido pelancas. A questão é se todos estão juntos cuidando desta vaca magra. Se a penúria é compreendida e assimilada como algo passageiro, mas necessário. Se o coletivo é maior que o individual. Se a crise vai gerar alguma oportunidade de melhoria.

Porque, quando se vê no Avaí, com toda as dificuldades existentes e algumas criadas, setores jogando contra, torcedores exigindo jogadores caros, ou mesmo jogadores tidos como exemplos pedindo mais contratações, diferente do que reza a administração, é porque o sacrifício não foi assimilado. A dificuldade está sendo exercida por alguns e não por todos, é o que se percebe.

Eu digo incansavelmente que as coisas vão mudar, mas é obrigatório que a mentalidade dentro da Ressacada precise ser mudada também. O esforço tem que ser coletivo. As metas devem ser de todos.

Do contrário, se todos, jogadores, diretores e torcedores não compreenderem que isso tem que ser assim, com dedicação e esmero, pode ir ali no chaveiro da esquina e mandar fazer uma tranca das boas para fechar o estádio. Não vamos sair dessa tão cedo.

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