O passado que não nos condena

O escritor americano Edgar Alan Poe, de quem sou fã, disse certa vez que a lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, ou as agonias que existem agora têm sua origem nos êxtases que podiam ter existido”

E é claro que estou falando da campanha do Avaí Futebol Clube nos dois últimos anos. É o clube para o qual eu aprendi a torcer desde guri. Minha primeira experiência em campo de futebol foi na decisão de 1973, no clássico o qual vencemos e desde então acompanho este clube até os dias de hoje. Aos 53 anos de idade já vi o suficiente para deixar minhas ruminações a respeito do Avaí irem e virem, as quais se não forem verdades definitivas, ao menos servem para montar um cenário próximo do que penso ser o ideal para cada vez mais sermos hegemonia em nosso estado.

Mas é óbvio que nos baseamos no passado para aprendermos e deixarmos as surpresas de lado. É evidente que o que fizemos a poucos meses servirá de parâmetro. E o que foi feito nos anos anteriores está sendo comparado com a fase atual. Seria muito estúpido se dizer que 2009 e 2010 foram anos com montagens de elencos ruins, se fomos campeões com um pé nas costas. E mesmo em 2012, naquele ano em que todos dizem que conquistamos um título na sorte, se não houvesse uma campanha no mínimo razoável não chegaríamos.

Eu lembro que enquanto muita gente detonava o presidente Zunino, com ou sem razão, e perdíamos títulos e jogos inúmeros, nosso rival se assanhava hegemonicamente no Estado. E até no âmbito nacional envergava algum orgulho. A mídia local babava para eles e os ínclitos senhores de nossa federação de futebol deixavam lágrimas rolarem a favor deles. Ganharam o que puderam e se difundiram por onde deveriam.

No entanto, bastou nos organizarmos um pouco, um pouquinho só, e fizemos uma campanha soberba no Brasileirão que ninguém fez até agora e revertemos a hegemonia local, conquistando o posto de mais vezes campeão.

Mesmo apanhando e sendo considerados nadas de coisa alguma, viramos a história a nosso favor. E o curioso de tudo isso, o mais espantoso de toda a conversa, é que a fase parece igual, idêntica, invariavelmente similar ao passado mais recente.

Por isso, senhoras e senhores, por pior que seja a nossa história, por mais absurda que as coisas aconteçam, por mais desesperador que seja o nosso presente, não se enganem, esse aí é o Avaí.

A fase vai virar, pode acreditar. Os que apostam contra ainda vão morder os beiços molengas.

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