Com ou sem ISO

É curioso a gente se deparar com argumentos de autoridade sobre algum assunto por parte de alguém que não o entende devidamente. É normal nos confrontarmos com expressões carregadas de falácias e premissas falsas, baseadas no senso comum. O sujeito vê a ação, o evento ou o fenômeno e por um singelo empirismo atesta um falso conhecimento e emite uma opinião sem consistência.

No dia a dia nos encontramos com isso, uma profusão de conceitos e noções sobre as coisas, que muitas vezes, quando o incauto se “aprofunda” além de suas capacidades e conhecimentos, beira à tolice.

É o que eu tenho observado, por exemplo, sobre as alegações a respeito do Certificado de Qualidade ISO pertencente ao Avaí.

Muita gente não sabe o que ele significa. Imagina que seja uma artimanha policial, capaz de emparedar um atabalhoado qualquer se não seguir as regras estabelecidas. Suspeita-se que uma Gestapo bem armada ronde os corredores atrás de sujeiras, malandragens e parafusos soltos. E quando algo não funciona, a culpa é da ISO. Talvez a principal responsabilidade da falta de conhecimento seja a nulidade de informações de como funciona e o que representa tal certificado para o andamento das coisas dentro do clube.

Todavia, isso não dá direito a se levantar suposições furadas ou interpretações errôneas. A propósito, hoje em dia, a disseminação de inverdades ou mentiras deslavadas só existe por quem quer aparecer ou agir de má fé, uma vez que a internet e o pai dos burros, o senhor Google, estão aí para ajudar a minimizar a ignorância.

Ter certificado ISO, portanto, significa ter normas de condutas padronizadas, definidas e calibradas. O usuário define o quer em sua entidade, baseando-se em normas pré-estabelecidas e requisitos básicos, visando que suas atividades, processos e serviços sejam controlados.

Registros e tomadas de ações devem ser os procedimentos adequados à condução ideal de todo o sistema. É assim que funciona uma estrutura organizacional que possua ISO. Se alguma atividade, procedimento ou processo fugir da norma estabelecida, faz-se um registro, investiga-se a causa raiz do problema, toma-se uma ação e se estabelece práticas de forma a que tal situação não ocorra no futuro.

Visto assim, entende-se que não há garantias de que não haverá um problema. Os eventos obedecem a uma fluidez e o controle total, se for entendido como uma blindagem hermética, é praticamente impossível. Agora, quando a estrutura organizacional tem amadurecido o controle de seus processos, os erros são facilmente identificados e as ações para evitar as recorrências são tomadas.

Não é o certificado que irá evitar que as coisas aconteçam, mas a responsabilidade de cada um.

Tendo em vista tudo isso, seria bacana, para não se posar de tanso, que as pessoas entendessem que não foi por falta ou presença de ISO a topeiragem de não inscrever o jogador Antonio Carlos e deixá-lo jogar, fato que nos levou a um imenso prejuízo. Foi algo de competência pessoal, que deve ter as consequências na dimensão do problema. Foi algo grave, sem precedentes e que precisa ser tomado como lição para não se repetir no futuro. Com ou sem ISO.

Cabe à direção do clube avaliar seus processos e dar respostas significativas aos torcedores e à comunidade. Exige-se, ao menos, uma conduta responsável e profissional à altura e de acordo com a importância do nosso clube.

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