Uma revolta pra chamar de minha

Os comentários difundidos na mídia e repercutidos por todos os compartimentos das torcidas, acerca dos danos e transtornos causados pela torcida do Figueirense, durante o clássico na Ressacada, inflama tendências e exacerba ódios. E uma linha de conduta, adotada pela mídia da Capital, leva a mais interpretações dúbias do que a considerações pautadas na tolerância e no entendimento que devem ter partes opostas.

Ah, sim, esclareço que quando menciono mídia, estou falando de todos os envolvidos com a comunicação em nosso quintal. A RBS se abarca como ponta de lança nessa barafunda, mas não é a única. As outras não despontam porque possuem menos audiência. Mas fariam tudo igual, porque a tendência à má informação, à passionalidade, à hipocrisia e à parcialidade são gritantes. Dos dois lados, diga-se. Quero deixar claro que não sou vaselina, bagre ensaboado ou virgem vestal a apostar num discursinho mequetrefe de politicamente correto. Se alguém está vendo assim, pode deixar de ler agora.

Eu sou do tempo em que alvinegros e avaianos sentavam lado a lado nas arquibancadas do estádio. Assisti a vários clássicos no Adolfo Konder ao lado de amigos vestindo preto e branco, da mesma forma que quando ia ao Orlando Scarpelli. Não que não houvesse torcidas separadas e machões a definir quem poderia ir ou não ao estádio. Mas a liberdade de expressão do contrário era natural.

O que vemos hoje, com separação com grades e arames farpados virtuais entre as torcidas beira ao grotesco. É algo da Idade Média. Humanos se odeiam visceralmente porque um não pode defender o seu time, a sua agremiação, sequer pode gritar gol em pleno estádio adversário. Não pode trajar a cor adversária, não pode sorrir quando um atleta do outro time faz uma boa jogada. O curioso é que existe, está ali, é visível a sua escolha oposta. Mas, é recomendado a ser separado, pois pode, no mínimo, ser trucidado por um rival. A palavra mais ouvida é cú. Um quer mexer no cú do outro, como cachorros sarnentos e raivosos a detonar o guapeca que mija no seu poste.

O grande problema disso tudo é que temos autoridades policiais e administrativas completamente incapazes e lenientes. São ineptos no trato com os marginais maquiados de torcedores. Em alguns casos são até desleixados, porque reprimem, ao invés de prevenir. Não são inteligentes. Não fazem estratégias de contenção das rivalidades exageradas. Em alguns estádios torcedores são atocaiados. Outros morrem. E não se tomam medidas de contenção antes da revolta. Poucas são as ações efetivas para diminuir esta situação crítica.

O que houve no clássico foi nítido: a torcida do Figueirense, quando viu que os ingressos para o local ao qual são destinados, se esgotaram, decidiu comprar em outras áreas do estádio. Perfeitamente natural, como disse acima, em outros tempos. Nos dias de hoje, não. Torcedores avaianos, quando viram que “seu território” estava sendo invadido por inimigos, resolveram tomar satisfações e expulsaram a horda para o seu “devido lado”. Como já estava cheio o lugar reservado, ficou superlotado. As leis da Matemática e da Física são implacáveis. E outros torcedores ficaram de fora do estádio. Como já estavam alijados e seu espaço tinha sido tomado por “companheiros”, desaguaram seu ódio para as dependências do estádio, como forma de punição ao Avaí por não haver disponibilizado mais espaço. Isso foi o que ocorreu. Como sempre afirmo, eu frequento o estádio e vejo como as coisas acontecem, sem que ninguém me conte.

Duas coisas interessantes são: a mídia achar que o Avaí deva ser punido por possibilitar que os alvinegros ficassem revoltados, e alguns torcedores avaianos, que não frequentam estádio, seguirem esta tolice.

Quando estas coisas serão resolvidas? Enquanto houver estas condutas, pode sentar e esperar.

Segue o baile.

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