A camarotização da ineficiência

Jogar um campeonato estadual é de uma dureza de dar pena. Para todo mundo. É um tipo de competição a qual, se as pernas não andam, o time não joga e as vitórias não vêm. Ou se põe times prontos de gurizada e se bota pra jogar, ou se aposta na recuperação de jogadores bons, mas travados, e se torce para que os resultados venham lá na frente.

O problema é que os ditos pequenos, que começam a treinar na metade do ano enquanto os outros estão em competições nacionais, chegam arrebentando e entregam a vida para não serem rebaixados. O chamados grandes clubes apostam na experiência de medalhões, verdadeiros depósitos de conhecimento de atalhos para vitórias, para frear o ímpeto da correria da garotada de segundo escalão.

Porém, há a terceira via, a dos grandes que não se acertam e acabam não colhendo bons resultados. E o pior de tudo é quando um destes grandes assiste de camarote, de dentro do gramado, o campeonato passar, a banda tocar todas as marchinhas e ele não consegue dançar a música e desafina o tom. É assim em todos os campeonatos estaduais, diga-se.

O caso do atual time do Avaí é este. Até que deu um susto no início, supôs-se que poderia ir a algum lugar, surtiu êxito num bom segundo tempo contra o JEC, deixou boas expectativas adiante. Mas mostrou muita incompetência nas partidas seguintes, tanto que patina numa quase lanterna da competição.

Nem falo de jogadores, porque um boleiro pode ir bem num jogo e desandar num outro. Pode-se ter um time de perebas e depois se transformar num time de guerreiros. Isso é irrelevante agora. O que não se sabe é que tipo de esquema tático este time joga, só para início de alguma discussão. Como que ele se arruma para vencer uma partida? Eu vi o aquecimento do time da Chapecoense (sim, eu assisto ao jogo no estádio!) e me impressionou a disposição dos jogadores ali, naquele momento. No jogo nem se fala. E é aí que se percebe o quanto de caminhada temos pela frente. Estamos muito longe de termos um time de futebol. Um ajuntamento, sim. Um time, necas.

Corremos o risco de terminar esta primeira fase do campeonato como um bocó atoleimado que não reage a ameaças, quando ao ver um problema mete o rabinho no meio das pernas ou corre para o colo da mamãe.

A fase da calma continua, considerando-se que é um início de temporada e há muito o que fazer. Mas a do desespero para a atual competição já piscou todas as luzes dos semáforos. E o nosso time continua assistindo, de camarote, vendo o quanto é bela a Ressacada.

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