Afogadores de estrelas

Há uma estrela em ascensão no futebol carioca. Não se sabe se é uma daquelas anãs-marrom, de brilho opaco e que pouco aparece, ou uma supernova, deslumbrante, que enche o céu com sua magnitude. O tempo dirá. Mas neste fim de semana ofuscou algumas lamparinas no elenco do Botafogo.

Trata-se de Diego Jardel.

Alguém se lembra dele? Aquele que jogava no Camboriú e que fez um jogo na Ressacada acabando com nossa defesa? Acabando com o jogo? Naquela oportunidade eu dizia para alguns amigos na arquibancada (sim, eu acompanho jogo de arquibancada!): “pensa nesse cara no nosso time, jogando ao lado do Marquinhos, ou do Cléber Santana”.

Então, na temporada seguinte, ele veio para o nosso time. E jogou ao lado de Marquinhos e de Cléber Santana. Quer dizer, várias vezes entrou em campo. Mas não jogou. Não deixaram. Foi intimidado. Queriam um novo Messi. Queriam um Zidane. Cada vez que pegava na bola era mais visado que os demais, não podia errar nem a respiração. Mas, hoje, ouvindo ruminações e murmúrios de colunistas do século 18 e de torcedor que pensa com o fígado eu entendi a razão.

Quando Diego Jardel jogou sozinho e comandou o meio de campo do Avaí, assumindo as responsabilidades, destroçou o time do Vasco da Gama em jogo pela Série B. Única partida em que jogou como o dono da posição. Todo mundo viu isso, até os vascaínos. É o cara? É o craque como opção aos galácticos da Champions League? Ganhará a bola de Ouro da UEFA? Nada disso. Aliás, é um bom jogador, mas sem alardes. A questão não é essa.

Robinho, o do Coritiba, sofreu com isso. Está no Palmeiras. É um absurdo de jogador? Nada, apenas queria um espaço. Lembram de Marquinhos Gabriel? Joga pelo Santos, emprestado pelo Al-Nasser. Bom jogador, habilidoso, mas jogava na vaga de…

Nenhum deles é craque, mas foram execrados impiedosamente. Demais além da conta.

Alguém já notou que o “craque” da vez, Renan Oliveira, já está sendo cobrado primeiro aos sussurros, mas depois será aos brados e palavrões? E já percebeu de onde vem o comando da orquestra que será tocada por meia dúzia de bocas-moles? No lugar de quem o Renan “ainda” joga (sim, logo vai pro banco)?

Jorge Henrique, que não é craque, mas é bom jogador, está para vir para o Avaí. Depende de acertos pra lá e pra cá. Mas já há uma manifestação ruidosa contra isso. Alguns dizem que é da imprensa para incitar torcedores. Bom, os nossos jornalistas não têm esse tutano todo. Mal sabem fazer as continhas de adição e subtração.

Há algumas virgens vestais por aí que dizem que eu tenho ódio do dono da tal camisa dez. Escondem-se, evidentemente, atrás das cuecas dos guerreiros azuis da internet e lançam suas toupeirices.

Temos, isto sim, um cemitério de jogadores na camisa dez. É só prestar atenção.

Diego Jardel, brilhe como deve! Aqui jamais conseguiria. Aqui não deixariam. Essa camisa tem dono e quem esquecer de quem é eles tratam de lembrar.

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