A moda da pegação no pé

No futebol, essa máquina de fazer doidos (e idiotas!), existe um comportamento que dá em nove de cada dez torcedores.

É uma coisa que mesmo o sujeito se colocando como racional, leitor de Jorge Amado a Drummond, de Charles Dickens a Gabriel Garcia Marques, escutador de músicas líricas a pagode, conhecedor dos sete mares e das constelações existes no firmamento e as ainda a serem descobertas, ainda assim ele larga a razão e parte pro emocional e aplica a coisa, o supra-sumo de frequentador de arquibancada, a defensoria do proferidor de palavrões num estádio, que é a pegação no pé.

Ele pode ser um pai/mãe dedicado (a), filho (a) estimado (a) e marido/esposa amoroso (a), mas a pegação no pé no seu clube de futebol ele não larga.

As coisas no seu clube podem andar às mil maravilhas, o cenário se espalha para uma boa temporada, jogadores se mostram animados, empresários sorridentes, diretoria em plena bomba para os trabalhos, mas o torcedor, esse ser dotado da razão que só ele tem e da emoção que só ele sente tem que achar uma coisa, um pelinho no ovo, uma vírgula no texto, um pentelho no sabonete pra dizer: não tá bom, não, tem aquele troço ali que não me cheira bem.

Pois a pegação no pé da moda agora na Ressacada é o número de jogadores do elenco e, junto a ela, os contratos feitos pelo Uram. Claro que alguns jogadores serão emprestados e essa conta vai diminuir. Mas, manda a regra de bom torcedor cornetear antes, pra ficar de bem com a turma depois. Vai que lhe falte a cerveja no copo.

Ah, sim, e mais hilário ainda, o fato de o Geninho NÃO poder escolher jogadores. Sim, essa é pra doer. Tu que estás lendo não acreditas, né? O treinador do time, o sujeito que vai comandar a temporada, o que irá trabalhar com um grupo de jogadores, tem que jogar com aqueles que a torcida quer e não com os jogadores que ele acha que podem render para o time que ele vai comandar. Já há quem aposte, do alto de suas conjuminâncias, que o treinador avaiano não dura sete rodadas no estadual. Se fôssemos contar isso lá em Lisboa os portuga ririam da nossa cara.

Afinal, o torcedor sabichão e desocupado tem que achar alguma coisa, e duvidar da palavra do presidente ou do técnico é um bom começo de temporada. Se não fosse assim, não seria torcedor. Esperar pra que se o sujeito pode pegar no pé antes e se achar conhecedor de causas e efeitos?

Vou lá virar o peixe que tá queimando.

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