Um guerreiro do nosso tempo

ZuninoConheci o Dr. Zunino quando eu tinha 18 para 19 anos. Era meu primeiro dia no laboratório e ele, ao me ver manipulando alguns tubos que iam para uma autoclave para serem esterilizados, me perguntou o que iria fazer. Eu disse que aqueles tubos iam ser reciclados. Ele disse ”não, amanhã”. E eu respondi: “estou aprendendo a tirar sangue de crianças”. Então ele foi taxativo: pois eu quero que tu trates as pessoas que virão aqui como teus parentes, teus amigos, como as pessoas mais especiais que tu conheces.

Dr. Zunino era isso, era um sujeito que se dedicava às pessoas. Ele se importava com o outro, com seus semelhantes e faria o que pudesse para ver alguém bem, do jeito e da forma que pudesse.

Ele montou uma empresa não apenas para ganhar dinheiro. Seria hipocrisia dizer que renegaria o retorno financeiro. Mas ele primava, essencialmente, por deixar as pessoas bem. Por atendê-las bem. Por fazer o melhor para a sua saúde e fazer isso bem. Por resolver um problema de alguém, que poderia ser um honorável ilustre ou um singelo desconhecido.

Não é a toa que a empresa Laboratório Médico Santa Luzia é referência nacional no seu ramo de atividade. E essa era a marca do Dr. Zunino. Fazer bem e o melhor para todos.

Aplicou isso no Avaí e obteve o sucesso devido. A má vontade pode negar, mas a história nunca renegará. Tivemos, em nosso clube, momentos sofríveis e momentos memoráveis, mas jamais se pensará que sua administração tenha passado em branco. Hoje temos um Avaí profissionalizado e andando com as próprias pernas. Com as dificuldades inerentes ao nosso tamanho e com as perspectivas de crescimento inegáveis. Os poréns são próprios da atividade.

Nunca fui um amigo particular do Dr. Zunino, diferente do que diziam por aí. Desses de  frequentar a sua casa ou mesmo a sua sala e quando o fazia era a trabalho. Mas admirava aquela forma de trabalhar, a dedicação ao conhecimento, o denodo, a coragem, a visibilidade, a inteligência, a forma de resolver as coisas, a perspicácia em “fazer negócio”, em criar algo novo, uma solução diferenciada. E o carinho para com as pessoas. Isso o tornava uma pessoal leal e dedicada.

Lamentamos a falta do ser humano. Choramos a ausência. Perdemos o corpo, a presença, a conversa franca, a palavra dura e a decisão serena. Mas o patrimônio humano, os exemplos e a dignidade isso não nos tiram. Nosso estimado patrão e inegável ser humano está mais presente e ativo do que se possa imaginar. Ele nos ensinou a sermos gente grande, pessoas crescidas e cidadãos honestos.

Saudações ao guerreiro João Nilson Zunino.

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