O pacto de mediocridade

Está havendo uma conclamação para os avaianos apoiarem o time que joga com a camisa do Avaí neste jogo de Sábado, o último da temporada, que poderá colocar o clube na série A de 2015, ou sacramentar um período de muitos fracassos. O chamamento aos brados pede, até, que se esqueça tudo o que passou, todas as picuinhas, todas as sandices, todas as tiradas de pé de boleiros, a impostura do silêncio, a hipocrisia generalizada, as festas, bebedeiras, os conchavos entre dirigentes e empresários da bola para se usar jogadores “pra ver se dá certo”, as caras feias de jogadores, a falta de torcida, as promoções de ingressos oportunistas e, principalmente, a falta de compromisso com uma instituição quase centenária.

A ordem é apoiar pela torcida pura e simples.

Evidentemente que isso faz um sentido do tamanho da galáxia. Estamos falando de clube de futebol, de um esporte onde paixão impõe lançar uma pedra sobre qualquer resquício de razão. A razão, no futebol, não é atestada pela realidade. Nunca foi.

Mas, no meio da torcida, existem pessoas. Existem homens, mulheres, crianças, seres que têm sentimentos, desejos, aspirações, disposições e capacidade de raciocínio. E isso nos diz quando seguir adiante ou quando parar. Nos dá sinais de alerta ou nos abre portas misteriosas. Embora a emoção seja atributo da massa torcedora, cada qual é dono do seu nariz.

Por isso, eu, particularmente, não apoio isso. Não vou torcer para este bando de ordinários que nos privaram de um sonho. Não vou apoiar quem pensou, antes, em seu umbigo. Não admito que um jogador do clube para o qual torço desde criança refugue. E minha postura pessoal é a de alguém cansado desta pantomima. Importa alguma coisa para a coletividade avaiana? Claro que não e não estou preocupado com isso.

Quero dizer, antes, que não vou admitir que qualquer um duvide de minha avaianidade. Que confunda postura do coletivo com interesses pessoais. A questão é que eu não consigo aceitar o que aconteceu, porque eu sei o que fizeram.

Há quem afirme que o elenco avaiano é limitado, que não é culpa deles e que os dirigentes são os principais responsáveis. Sim, todos têm a sua parcela de culpa, afinal, ao se tomar uma decisão deve-se assumir as consequências. No entanto, nenhum dirigente, em qualquer parte do mundo, monta um time para perder, porque estaria roubando do próprio bolso. Teria que ser internado como um louco varrido. Um boleiro, contudo, pode simplesmente errar um alvo na hora de fazer a jogada consagradora. Chutar um pênalti para fora. Tomar um frango antológico. Afrouxar a marcação. Ou mesmo viver nas noitadas orgásticas sem se preocupar com condição física, treinamento ou jogo decisivo. A Lei de Vampeta está aí para comprovar a lenda.

Assim, minha bronca não é e nunca foi com a diretoria. Aliás, dirigentes de futebol, em sua maioria, são abnegados. Deixam famílias, negócios, vida privada para se dedicarem ao clube que amam. Há exceções, mas para estes a seleção natural dá um jeito. Os que querem fazer bem, tentam, mas esbarram em falta de dinheiro, em federações falidas, em legislação burra como a Lei Pelé, ou em cartéis montados por redes de TVs, que chupam dos clubes e não lhes devolvem nada. Além de ter que “administrar” boleiros egocêntricos e com padrinhos oportunistas.

Torcedores irão à Ressacada neste sábado, sim, senhor, a festa deverá ser bonita, é possível que o time que joga com a camisa do Avaí vença e se consagre. Ou não, dependendo das circunstâncias. Mas, eu não vou. Não torcerei contra, jamais, porque é o meu clube, porém, para este grupo também não torcerei a favor.

O meu clube merece mais respeito e estes jogadores jamais tiveram isso conosco. Não faço pacto de mediocridade.

Anúncios

4 comentários sobre “O pacto de mediocridade

  1. Olá Aguiar!
    Ir à Ressacada porque alguns estão conclamando, realmente, não. Mas ir, sim, porque é o Avaí que estará jogando. Realmente, o fato de alguns jogadores estarem em campo são motivo pra não torcer por eles, mas não encontro nisto motivos para não ir lá e apoiar o Avaí. Não podemos generalizar e achar que todos os jogadores do Avaí são uns “m…”. Provavelmente há entre eles jogadores que querem algo diferente, e melhor, para o Avaí, mas que infelizmente foram “engolidos” pela boleirada que não tá nem aí. Estes, os “bons”, não sei quais são, mas devem existir no grupo atual, e merecem pelo menos nossa presença na Ressacada. Se subirem, que bom, gritarei bem alto “Avaí”, não gritarei nome de jogador, nem os chamarei de “guerreiros”. Se subirem, que bom, pois com este dindin a mais, quem sabe, a diretoria consiga fazer uma reformulação no grupo e mandar os jogadores de “m…” pra bem longe da Ressacada.

    Curtir

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s