O jogo da vida

Para as pessoas envolvidas com o esporte, de modo geral, frequentemente há eventos limites ou decisivos na maioria das competições. Temos o “jogo do ano”, a “luta do século”, a “corrida da carreira”, e por aí os casos vão se somando. Muito mais para promoções marqueteiras, para alavancar patrocinadores e vendedores do templo oportunistas do que, propriamente, algo que agregue consistência ao esporte em ocasião.

Na maioria das vezes, não revelam coisa alguma, apenas uma contabilização de caixa mais adiante. O herói de hoje é o abominável de amanhã. Aliás, há uma música dos Titãs, A Melhor Banda dos últimos Tempos da Última Semana, que fala justamente sobre isso, dos negócios, do business nos eventos, algo etéreo e sem lastro. Poderia aqui fazer uma enfiada de exemplos da bobagem que envolve isso.

Mas o jogo desta sexta-feira entre América de Minas e Avaí (e nos três seguintes) tem algo além do simples golpe de marketing, ou mesmo de um jogo importante de campeonato de futebol. Pode significar uma virada para cima ou para baixo (pela margem de erro!) na vida de nosso clube. Será uma afirmação de projeções futuras, ou decretação da incapacidade incrustada no clube ao qual resolvemos torcer quando crianças. Pode sedimentar carreiras e conceitos. Ou recomeçar do zero e de uma distância muito longínqua.

No final da década passada o Avaí saiu da condição de amadorismo pleno para uma de pré-profissional. Só alguém muito estúpido ou murrinha para não perceber isso. Foi o mesmo que deixar a adolescência cheia de espinhas e insegurança e cair na vida adulta. Mas na vida adulta jovem, antes dos 30 anos. Naquela fase em que já conseguimos um emprego ou finalizamos uma faculdade, nos preparamos em constituir família, mas não deixamos as bonecas e os carrinhos da infância para continuar brincando.

Foi o que aconteceu com a gestão Zunino. Implantou um processo de organização interna, estruturou algumas áreas da administração, mas deixou alguns buracos na parte de investimentos e aquisição de recursos, que era para, justamente, sedimentar o processo de transformação de clube amador para profissional.

Quando votamos nas pessoas envolvidas com a gestão Zunino, pensávamos, justamente, no que deveria vir. Se alguns fracassados afirmam em continuidade de forma pejorativa, como algo estancado e inerte, informo que a continuidade era para, exatamente, pegar dali e resolver os pontos parados e desatar os nós que foram acontecendo. Qualquer instituição que passa por processos de aprimoramento vive isso. Até os tais fracassados apostavam nisso também, haja vista que fizeram os seus conchavos para manter uma administração com o atual presidente, admitindo que não tinham competência para seguir sozinhos. Hoje vivem a encher o saco com um EU JÁ SABIA monocórdido!

Em razão disso, como o clube vive exclusivamente do futebol, é ele que dará a razão de sua existência e projeções para o futuro. A matemática é bem simples: se em 2008 atingimos um ápice baseado na organização que vinha sendo montada nos anos anteriores, e a partir daí nos expomos como clube de futebol num cenário mais amplo, a queda, ou o declínio tende a pôr no chão todo o processo. O declínio está em, exatamente num ano onde está muito fácil subir de divisão e se consagrar na elite do futebol nacional, continuar onde está e não ter forças para ultrapassar o desafio. O qual, repito, está bem molinho de ser resolvido.

O Avaí Futebol Clube entrou na condição de ser um clube que supera etapas, mas só o fará se houver músculos para tal. E isso está além da condição física, é um esforço mental e psicológico para tanto. Ao passar mostrará que está, definitivamente, resolvido diante dos percalços deste esporte e mesmo que sofra consegue sair. Se ficar, dará atestado de incapacidade e mostrará que era apenas um sonho numa noite de verão, um clube fadado a ser sub. Será pequeno pelo resto da vida.

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