Um conto de fadas e bruxas

Seria perfeitamente natural, num campeonato disputado a tapa, pedaços de grama pra todo lado e suores de camisas a rodo, que uma torcida entendesse perfeitamente as dificuldades e acompanhasse seu time. Seria uma jornada apoteótica, ao final, mesmo sem uma classificação, os torcedores aplaudirem de pé os esforços empregados e gritassem “time de guerreiros” na última partida. Teríamos uma prova do quanto a sinergia torcedor-jogador estaria em altíssima evidência. Nunca, jamais, se duvidaria da capacidade do time e do apoio de sua torcida.

Isso, no mundo ideal, naquele de cinderelas e polianas.

No que conhecemos, no da vida real, neste de ogros, pagodeiros e baladeiros, esperar algo a mais dentro de campo, que não seja marcar o próximo encontro numa quebrada qualquer, inclusive com a participação do time adversário, é viver numa fantasia descomunal.

Sinceramente, não tenho muita esperança que nos classifiquemos para a série A neste ano, mesmo com o campeonato francamente a nosso favor, com a Série B pedindo pelamordedeus pra gente subir. Todavia, o torcedor mais atento sabe, de cor e salteado, que basta o time do Avaí começar a vencer, e convencer, que a torcida acaba voltando e exultando este aglomerado de boleiros. O futebol é uma sopa de clichês.

Cada vez mais me convenço a desistir. Dirá o abobado oportunista e seletivo que é porque o meu patrão, aquele que paga para eu escrever, saiu do ar e aí fui junto. Como metade mais uma desta rafuagem não me conhece pessoalmente (e nem faço questão), não sabem que é por causa destas artimanhas do futebol mesmo, do nojo que ele agrega a cada dia que passa. Mas não estou aqui para explicar aquilo que não se quer entender.

Voltando à vaca fria, pois não é que agora se sabe que os torcedores estão atentos? Diz-se, nas páginas dos jornais, que há uma corrida aos botecos e casas de espetáculos, celulares em punho, atrás de jogadores descompromissados e fotografando seus momentos de júbilo e graça, denodo e entrega a uma boa farra. Aqueles jogadores que o Chico Lins diz saber, mas não revela nomes (como se fosse necessário). Sabemos que haverá pajens a torto e a direito corrigindo a rota dos guerreiros do Leão. Ai daquele flagrado com um copo na mão, a mão numa bunda ou uma bunda no colo.

Ou seja, chegamos ao ponto de “cuidar” de marmanjos, porque eles mesmos não se cuidam. Eles mesmos, como se não soubéssemos (e ainda fazem biquinhos quando se comenta isso), vivem ao esbaldar até o amanhecer, sacrificando seu corpo e suas carreiras. Sem contar com a falência da vida do próprio clube.

Hoje se sabe que há duas vertentes de críticos nas redes sociais e na blogosfera. Os que detonam a diretoria e os que miram nos jogadores. A diretoria é a culpada por contratar príncipes e reis de camarotes refinados. Os jogadores mais preferem a vida fácil e a moleza de viver numa ilha sagrada e consagrada.

E os bobos da corte? Estes somos nós, que ainda acreditamos em Papai Noel, Chapeuzinho Vermelho e que o Lobo Mau só come a vovozinha por que é de mentirinha.

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