Muito amargo e sem nenhum afeto

Chegamos a mais um final de temporada cobertos de frustração e assumindo a postura do mais belo cavalo paraguaio do sul do Brasil.

Os prognósticos matemáticos, é verdade, ainda nos são favoráveis, mas a conduta é deprimente e com sabores de decadência, o que nos leva a crer que não chegaremos. Nosso time está em frangalhos e seus supostos ídolos no ocaso, encerrando suas carreiras de forma patética, melancólica e sem brilho. A dignidade flui miseravelmente pelos dedos.

Um amargor escorre-nos pela garganta, já não temos mais vozes para protestar e a motivação ultrapassou a linha negativa. A desonra os assola.

E tudo porque a irresponsabilidade dos jogadores do time do Avaí tomou o lugar do compromisso, da hombridade e da vergonha na cara.

O pior da história, todavia, é que tudo isso já era conhecido. Tantas e tantas vezes foi avisado que o grupo de jogadores do Avaí era composto por malandros de ocasião e oportunistas inveterados. Até se assanhou um afago, uma mobilização para que o grupo ressurgisse da miserável condição em que se colocou (ou nos colocou). Exatamente, porque, a carência da torcida por boas novas e resultados consagradores é enorme. Qualquer pétala mais brilhante neste jardim ressecado é uma floresta de alegrias. Mas sofremos calados, uma vez que o desgosto nos roubou a voz.

Todos sabemos que a vida das pessoas, atualmente, é um livro aberto. A não ser que o sujeito se isole numa montanha alta ou no fundo de uma caverna, onde a luz elétrica não chegue, todos os habitantes do planeta, de vida urbana, estão expostos. Até as pessoas do meio rural. Digo isso porque se engana quem afirme que a vida de jogadores de futebol, estes humanos diferenciados e imaculados por seus seguidores, é secreta ou só diga respeito a eles.

Mentira!

A gente sabe onde moram, como vivem e qual sua postura extra-campo. E isso diz respeito ao torcedor? Bom, se a postura degradante contribuir para um mau desempenho dentro das quatro linhas, o torcedor tem razão em se incomodar. Afinal, ele se sente atraiçoado.

Todos têm conhecimento de que time e torcida, para haver sucesso, precisam de uma ótima simbiose enriquecedora. O trato é feito da seguinte maneira: “eu te apoio e tu jogas pra mim”, “eu jogo tudo o que eu sei e tu me aplaudes”. O resultado é um jogo de interesses, com uma conquista para um e uma boa carreira para outro. Todos saem ganhando.

O jogador se esmera na lida com a bola e a torcida festeja. A torcida faz carreatas, hasteia bandeiras e canta hinos consagradores e o jogador faz jornadas épicas.

Entretanto, não é o que vemos no Avaí dos dias atuais, é verdade. Muito mais por quem enverga nossos uniformes e nos envergonha. Biografias são jogadas na vala sem o menor pudor, contribuindo para arrasar ainda mais uma história que é tão rica. Se um jogador é limitado do ponto de vista técnico, deve compensar isso com a parte física. Mas se a noite é maior do que o dia, quem disse que o corpo aguenta?

A famosa reunião desta semana entre os jogadores e o técnico Geninho foi para isso mesmo, uma tentativa de união. Talvez a última da temporada. Para que se termine com alguma dignidade. Para que alguns destes marmanjos pusessem a mão na consciência e definissem, reflexivos, o que querem de suas vidas. Como querem construir suas carreiras? E como devem servir, daqui por diante, aos demais clubes do futebol brasileiro? No Avaí, como supostos profissionais, já escreveram uma página imoral. Pelo menos que em suas vidas particulares sejam os homens responsáveis que dizem querer um futuro melhor para os seus.

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